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Joaquim Rodrigo
       (Lisboa, 1912 / Lisboa, 1997)                                                                          138



       Joaquim Rodrigo é um pintor autodidata e um teórico exigente, que construiu um
       sistema semiológico complexo a partir de um vocabulário pessoalizado. Joaquim
       Rodrigo inicia-se pelo abstracionismo geométrico antes de gradualmente se apro-
       ximar da nova figuração. O pintor altera a sua linguagem pictórica inicial, criando

       a partir da década de 1960 um vocabulário simbólico de signos figurativos e verbais
       crípticos, articulando memórias pessoais, que distinguem a sua obra.






       Influenciado pela leitura de Paredes     com grande concentração    como numa narrativa. Através
       Pintadas da Lunda (1953), de José   de óxido de ferro pouco hidratado.    da inscrição de signos verbais,
       Redinha, o pintor apropriar-se-á   A disposição simplificada e cir-  o pintor refere-se a lugares,
       do primitivismo das conceções    cunscrita das manchas que com-   mencionando Oropeza, o Hotel
       plásticas e formais da arte indígena     põem os pictogramas reforçam    Chanciller em Vitoria, e Caia e
       das culturas pré-colombianas,    o carácter críptico da imagem.   Burgos, indica o encontro com
       da arte tribal de África e aborígene    Pintura depurada, antecipa com-  Costa Pinheiro e com Martinho
       da Oceânia. O seu pensamento     posições em que viria a desen-   e a velocidade atingida em deter-
       sobre os valores da pintura está   volver uma maior complexidade.    minado momento, conforme
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       sistematizado em O Complemen-    A obra foi adquirida à GIEFARTE   sugere a expressão pré-verbal
       tarismo da Pintura (1982) e em    – Gabinete de Estudos e Finan-  200 / PST!.., delimitada por uma
       O Pintar Certo (1995).  Nestas duas    ciamento de Arte em 1997.  linha que a circunscreve, à seme-
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       publicações, Joaquim Rodrigo                                      lhança de outras inscrições.
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       lega um relevante contributo     Em finais dos anos 1960, Joaquim   Esta foi exposta em 1972 na ex-
       teórico para se compreender      Rodrigo viaja pela Europa        posição Retrospetiva, na S.N.B.A.
       a sua obra. Optando por represen-  de carro (entre 1968 e 1974).    – Sociedade Nacional de Belas-
       tações paisagísticas e figurativas   Atravessa Espanha diversas   -Artes. Aqui foi adquirida por
       de pendor narrativo, Joaquim     vezes, França e outros países    Maria das Dores Fernandes e,
       Rodrigo anula a noção espacial   europeus. Estas viagens ficam    mais tarde, comprada pela
       e perspética. O pintor concebe   registadas na sua pintura. Entre   Galeria Nasoni, que por sua vez
       composições bidimensionais       1970 e 1971, o pintor concebe uma   a vendeu a Fernando Santos,
       de modo disruptivo, usando um    série de trabalhos onde narra    de onde proveio para a coleção,
       sistema rígido de representação   etapas da viagem que realiza em   em 1998.
       esquemática e abstrato, cujos    Espanha, qual itinerário. Lisboa –
       pictogramas aparentemente        Vitória, de 1970, insere-se naque-
       ingénuos fragmentam a narrativa.   la série.  A pintura representa
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       Joaquim Rodrigo encontra na      uma variação desse percurso,
       natureza um conjunto de valores   onde cristaliza uma cartografia
       cromáticos restritos, oriundos   específica e uma deslocação no
       dos pigmentos encontrados        tempo. Observa-se na superfície
       no solo e das gradações que este   pictórica orientada na horizontal
       proporciona. Estas tonalidades   e, sobre um plano monocromá-
       argilosas, mais ou menos ocres   tico obtido com argila vermelha,
       e barrentas, são usadas com      a representação pictográfica de
       brancos e pretos para estruturar   veículos, aspetos paisagísticos
       as composições e delimitar       e percursos, variando a utilização
       as formas pictóricas. 2          plástica dos valores cromáticos
                                        que utiliza. Joaquim Rodrigo
       Em Vau – Campo, de 1962,         recorre à memória para evocar, na
       identifica-se esquematicamente   pintura, lugares, personagens e
       uma casa, um monte, caminhos,    situações com que se deparou ao
       flores, fechaduras, copas de     longo do percurso, unificando-as
       árvores, elementos inscritos num    no espaço pictórico para serem
       plano bidimensional de cor argilosa     lidas da esquerda para a direita,
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