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Mafalda Santos
       (Porto, 1980)                                                                                          144



       Nascida no Porto, em 1980, Mafalda Santos trabalha a pintura de modo expan-
       dido, cruzando o desenho, o specific object, a instalação site-specific e a escrita
       na sua pesquisa.  Desde o início do seu percurso, em 2001, que articula aspetos
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       visuais e expressivos na sua obra através das dimensões do arquivo e da memó-
       ria. Além dessas características, explora também os universos da semiótica para
       tratar questões de acumulação e de obsolescência, amplificando o significado do
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       A metodologia que utiliza durante   Mafalda Santos apresenta uma   Em Sem Título, de 2006, a artista
       o processo criativo obedece      formulação própria, afirmando-se   concebe uma malha leitosa deli-
       a determinados princípios orien-  em termos de escala e dimensão,   cadamente pintada sobre um
       tadores. Recolhe informação,     proporção e ritmo, fragmentação    plano monocromático azul-escuro.
       analisa-a, procede intuitivamente    e subversão, sobreposição e   Através da gestualidade afim
       a compêndios de modo a agir no   repetição, a que sujeita as suas   do desenho, a artista dota de
       espaço de intervenção específico,    obras, bem  como às qualidades   realismo percetivo a superfície
       seja bidimensional ou tridimen-  matriciais dos materiais. A título   pictórica que trata como uma
       sional. Essa informação surge    de exemplo, é de notar como a    interface, à imagem de alguns
       do estudo de aspetos afetos      partir de materiais ordinários, como   aspetos patentes na obra que
       ao meio profissional, social e   o papel impresso ou o cimento    apresentara na Fundação Calouste
       político, e também à narrativa   pigmentado, aborda o desenho e se   Gulbenkian. As minuciosas
       do local no qual intervém.  Isto é,   reinventa continuamente.  A artista   pinceladas, articuladas gradual
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       Mafalda Santos cria a matriz de   tira partido das diferentes leituras   e ritmicamente com outras,
       determinado corpo de trabalho,   percetivas que os materiais permi-  apresentam direções distintas,
       recorrendo à abstratização e     tem, sugerindo na sua utilização    cuja proporção transmite a ideia
       concetualização das premissas,   a transformação de aspetos háp-  de uma realidade em construção
       as quais altera, proporcionando   ticos, sonoros e figurativos prove-  de reminiscência virtual.
       novas leituras, numa atitude de   nientes de uma matriz assente    A singularidade desta obra
       interrogação face à “sistemati-  na abstração e no performativismo     reside no hipnotismo provocado
       zação e registo linear dos factos,   das suas propostas. 8        no observador. A deformação
       experiências e narrativas.” 4                                     a que sujeita a ortogonalidade da
                                        Em 2004, após terminar a licen-  malha é predeterminada pela sua
       Com a informação que reúne       ciatura em Pintura na Faculdade   elegante manualidade e adquire
       compõe redes visuais, organiza   de Belas-Artes da Universidade   um carácter gravítico. A escala
       malhas de relações cronológicas    do Porto, realiza a sua primeira   da tela, pintada a óleo orientada
       ou hierárquicas, afetivas        exposição individual através do   na vertical, apresenta-se com um
       ou virtuais, com o compromisso   coletivo PêSSEGOpráSEMANA,       portal, quase como se ali espaço
       de organizar o conhecimento      e destaca-se pela abordagem      e tempo se sobrepusessem para
       e torná-lo tangível.  Ou seja,   pouco canónica da pintura arti-  criar um outro espaço, uma outra
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       verifica-se uma preocupação      culando os seus elementos no     realidade.
       em orientar-se por articulações   espaço expositivo. Em 2005, na
       verbais ou iconográficas organi-  exposição 7 Artistas ao 10º Mês,
       zadas por via de esquemas,       realizada na Fundação Calouste
       mapas, organigramas e rizomas,   Gulbenkian, com curadoria de
       na senda dos estudos de Delleuze    Leonor Nazaré, Mafalda Santos
       e Guattari.  O observador, através    apresenta uma obra que dialoga
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       desses sistemas, estruturalmente     com o observador através da
       abertos e livres, estabelece uma   intervenção no espaço. A instala-
       relação de reciprocidade com     ção da pintura no espaço é cons-
       o espaço envolvente.             tituída por uma extensa malha
                                        que articula pavimento e estru-
       Tratando a pintura em proxi midade    turas parietais, qual desenho que
       à op art, formal e graficamente,   adquire um carácter estrutural. 9
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