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147          (Elvas, 1970)                         Rui Serra




                     Rui Serra aborda temas distintos como a política e a violência, a globalização
           Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO
                     e a espiritualidade através da pintura. O seu percurso reflete o tratamento de
                     imagens por si recolhidas do quotidiano mediático, que intui como ready-mades
                     e que articula com referências culturais de antanho. Rui Serra sujeita-as a uma
                     atitude de apropriação, e metamorfoseia-as recorrendo a artifícios que convo-
                     cam fenómenos de cariz hipnótico e retiniano.





                     XIº Mandamento  – Admitir sempre   em Amsterdão, naquele ano.     vandalizado e mecanicamente
                     o erro, de 1996, obra da série Dez   O ataque à tela foi justificado pelo   reproduzido.  O artista tira partido
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                     Novos Mandamentos Visuais,       desdém sentido por Bladeren      de uma atitude violenta para
                     é apresentada em Geração         face à simplicidade e ausência de   relatar acontecimentos de des-
                     Iconoclasta, uma exposição reali-  densidade artística e concetual,   truição e eliminação sociocultural,
                     zada na Culturgest, CGD – Caixa   relativamente ao transcendenta-  comparando-a a atos de vandalis-
                     Geral de Depósitos, entre 1 de   lismo do expressionismo abstrato    mo iconoclasta que dialogam com
                     maio e 30 de junho 1996.  Nela,   e da pintura color field. Uma   o facto de a memória de tantas
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                     Rui Serra apresenta um corpo     pintura desta série já havia sido   culturas estar sujeita à destruição
                     de trabalho através do qual reflete   vandalizada em 1982, Who’s Afraid   iminente.
                     sobre “os meios e o sentido da   of Red, Yellow, and Blue IV
                     arte na sociedade atual” , numa   (1969-1970), quando esteve exposta   A obra foi adquirida à Galeria Arte
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                     atitude de meditação sobre o     na Nationalgalerie, em Berlim, por    Periférica em setembro de 1998
                     virtuosismo pictórico subvertido    Josef Nikolaus Kleer. O ato de   e apresenta um título explicativo,
                     pela apropriação de imagens      vandalismo a que foram sujeitas   pois Rui Serra sugere a aceitação
                     preexistentes que sugerem        ambas as obras seria considerado,   do erro quer como ferida, quer
                     a profetização do anunciado      também, um ataque xenófobo, já   como cicatriz, decorrido
                     apocalipse do milénio com        que a genologia de Barnett       da vivência a que estão sujeitos
                     origem na tradição judaico-cristã.    Newman o inseria numa família   os corpos e as obras.
                     Encontrando mote na obra de      de tradição judaica.  Rui Serra,
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                     superfícies depuradas do artista    apropriando-se do acontecimento
                     norte-americano Barnett Newman   e da sua imagem documental,
                     para conceber a referida série,    elabora uma cópia reduzida da
                     Rui Serra parte de uma visão     obra original, constituindo-a com
                     historicista da época paleocristã   dois elementos, que organizam
                     para extrair a ideia de cenários   a composição horizontalmente,
                     caóticos e desconhecidos. 3      e cristalizam a imagem da última
                                                      obra golpeada. O artista respeitou
                     A pintura XIº Mandamento  –      o cromatismo primário reminis-
                     Admitir sempre o erro insere-se    cente dos princípios do De Stijl
                     nesse contexto expositivo. Rui   e da pintura de Piet Mondrian,
                     Serra concebe-a em proximidade   influências de Barnett Newman,
                     ao episódio interpretado certas   acentuando os extensos golpes
                     vezes como o epílogo do pós-     com tinta preta. Sobre a camada
                     -modernismo, protagonizado por   pictórica inicial, aplicou elemen-
                     Who’s Afraid of Red, Yellow and   tos também pretos oriundos da
                     Blue III (1967), da série de quatro   referência fotográfica que copiou
                     obras Who’s Afraid of Red, Yellow,   mecanicamente. Esses elementos,
                     and Blue (1966-1970), de Barnett   pontos isolados ou agregados,
                     Newman. Em 1986, a superfície da   provocam efeitos retinianos
                     obra foi vandalizada com golpes    próximos da pop art e da op art,
                     desferidos pelo “iconoclasta do   de modo a evidenciar a subversão
                     modernismo”  Gerard Jan van      total da integridade pictórica
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                     Bladeren, aquando da sua exibi-  da obra acidentada. A pintura
                     ção no Stedelijk Museum,         é concebida como um duplo
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