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155          (Lisboa, 1966)                    João Tabarra




                     João Tabarra estudou fotografia no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Vi-
           Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO
                     sual e trabalhou como repórter fotográfico no jornal O Independente. Fruto dessa
                     experiência, João Tabarra apreende os espaços de desolação com “a crueza do
                     realismo fotográfico” , articulando ficção e realidade de modo inquietante. O seu
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                     trabalho convoca temas como os da nostalgia, do realismo e do delírio. Num pri-
                     meiro momento do seu percurso artístico, recorre a discursos de cariz ficcional e
                     autoficcional para “desenvolver registos próximos de uma contra-memória cole-
                     tiva” , sem, no entanto, alheá-los da realidade. Nas obras dessa época, verifica-se
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                     a recorrência a uma única figura cuja morte vai condicionar a sua obra.





                     Em João Ponte Diniz “Pilha Eléctrica”,     O políptico de João Tabarra foi   Notas
                     Campeão de Mínimos Amadores      apresentado em Made in Portugal,           1. João Tabarra, Instituto
                     Boxe 1943 e Sting, de 1993, João   uma exposição coletiva na Galeria         Camões, in instituto-
                     Tabarra retrata um homem co-     Graça Fonseca, em Lisboa, em                -camoes.pt/biografias/
                     mum e real, com o seu cão,       1993, no mesmo ano em que foi               joao-tabarra-dp1.html.
                     atribuindo à imagem um título    mostrado em Imagens para os                 Consultado a 7.12.2024.
                     descritivo. Ambas as figuras     Anos 90, a exposição comissariada          2. JÜRGENS, Sandra Vieira,
                     surgem a olhar de frente para a   por Fernando Pernes e Miguel von           O Caminho sem Fim in
                     câmara e em primeiro plano. João   Hafe Pérez, realizada pela Fundação       No meio do caminho tinha
                     Ponte Diniz, à esquerda, enverga   de Serralves, no Porto, com parce-        uma pedra. Tinha uma
                                                                                                  pedra no meio do caminho,
                     um traje da década de 1940. Sting,   ria da Culturgest, na CGD – Caixa       Coimbra: CAPC – Círculo
                     o cão, está sentado à direita.   Geral de Depósitos, em Lisboa.              de Artes Plásticas
                     Ambos são colocados individual-  A imagem escolhida para figurar             de Coimbra, 2003.
                     mente nos dois painéis centrais,   no catálogo representa o artista         3. Idem.
                     diante de panejamentos escarlates   ladeando a obra sem moldura
                     que caem no pavimento e lhes     no Terreiro do Paço, numa atitude          4. Ibidem.
                     amparam a pose. A encenação      também simbólica. João Tabarra
                     das duas figuras, que relega     voltaria a eleger João Ponte Diniz
                     para o vácuo os quatro painéis   como motivo para Portugueses
                     de menor dimensão que ladeiam    na Europa, de 1995, que se tornaria
                     aqueles, culmina no modo como    a imagem de Aperto, no Institut
                     João Ponte Diniz segura a trela    d’Art Contemporain de Villeurbane/
                     do pastor alemão, evidenciando    /Rhône-Alpes, nesse ano.  Só a
                                                                             4
                     a orientação da imagem na        sua morte faria o artista eleger-se
                     horizontal, cuja fragmentação por   enquanto personagem recorrente
                     módulos cita os paradigmáticos   de representação na sua obra,
                     Painéis de São Vicente pintados   iniciando-a marcadamente
                     em c. 1470, de Nuno Gonçalves.     na exposição What type of
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                     A imagem heroiciza Pilha Eléctrica,   contestation are we asking for?,
                     o Campeão de Mínimos Amadores    na Galeria Graça Fonseca,
                     de Boxe em 1943, ironicamente    em Lisboa, em 1997.
                     estático, e o seu companheiro
                     canino, que a iconografia associa
                     à fidelidade. Numa atitude
                     de declarada desconstrução
                     semiótica, estas figuras comuns
                     são satírica e anacronicamente
                     glorificadas.
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