Page 56 - Fundação MEO - Coleção de Arte Contemporânea
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(Solothurn, 1948           Michael Biberstein                                                           56
       – Alandroal, 2013)


       Michael Biberstein inicia o seu percurso artístico nos anos 1970 em aproximação
       aos valores da arte concetual, que articulou com a filosofia da linguagem e com
       o positivismo lógico. Elegendo como principal objeto de pesquisa a paisagem, foi
       influenciado pelo abstracionismo, pela arte oriental e pelo romantismo alemão,
       princípios a partir dos quais decompôs os processos da pintura. Nesta pesquisa
       em torno da linguagem pictural, Michael Biberstein medita sobre questões ine-
       rentes à dimensão da espacialidade, como a escala e a profundidade, relacionan-
       do-as com a paisagem enquanto dispositivo histórico que permite indagar sobre
       as noções do sublime, do silêncio e da vastidão.        1




       Na sua obra, observam-se, nos    continuamente entre as extre-             Bibliografia
       planos monocromáticos ou dicro-  midades do suporte, entrecru-
       máticos da superfície pictórica,   zando-se para criarem espaços           AA.VV., Michael Biberstein:
       sugestões de paisagens por       de meditação, não distantes da            A difícil travessia dos Alpes,
       conhecer, ocultas por atmosferas    atitude contemplativa do artista.      Lisboa: CAM - Centro de
                                                                                  Arte Moderna da Fundação
       reminiscentes de fenómenos       Em Endorphin – Horizon 1/10.10.99.,       Calouste Gulbenkian, 1995.
       climatéricos que evidenciam      de 1999, o artista procede à
       a existência de um horizonte     representação de uma paisagem,            Acerca de Vernet, da
       mental. O cromatismo tenso das   também utilizando lápis-de-cor            Paisagem, do Sublime
       pinturas aproxima-se daquele     sobre papel e aguarela. A linea-          e do Belo, e qual a relevância
                                                                                  que podem ainda ter
       apresentado nos céus carregados    ridade da representação paisa-          na Arte Contemporânea,
       de nuvens gotejantes que anun-   gística é complementada pela              Lisboa: MNAA - Museu
       ciam tempestade, simulando,      aplicação de ténues manchas               Nacional de Arte Antiga,
       na densidade das sucessivas      que permitem tratar as questões           1991.
       camadas das velaturas da ima-    de espacialidade, como os                 Artista Michael Biberstein
       gem, neblinas, nevoeiros, nuvens,   acidentes e relevos da paisagem,       criava para “desacelerar
       sombras e fenómenos lumínicos    de modo diverso. Em todos os              a percepção” in Observador,
       por elas ocultados na vastidão    desenhos, o cromatismo utilizado         observador.pt/2018/05/18/
       da pintura. 2                    representa a característica pre-          artista-michael-biberstein-
                                        dileção pelo monocromatismo               criava-para-desacelerar-
                                                                                  a-percepcao/. Consultado
       Na coleção há três desenhos      e pelo dicromatismo. Endorphin            em 2.9.2024.
       de Michael Biberstein, adquiridos   – Horizon, o título do ciclo, revela
       ao artista em 1999, que se carac-  uma relação entre o horizonte,          Michael Biberstein,
       terizam por uma depuração no     valor orientador da paisagem,             in repositorio.ul.pt/
       modo de conceber a paisagem.     e a endorfina, analgésico natural         bitstream/10451/42688/2/
                                                                                  ULFBA_CE1000_
       Os desenhos pertencem a um       libertado pelo cérebro em                 DelfimSardo. Consultado
       ciclo elaborado ao longo de 1999,   resposta à dor e ao sofrimento,        em 2.9.2024.
       cujo intuito era o de registar    enunciando a paisagem e o seu
       a mesma paisagem em diferentes    registo como necessários ao              PINHARANDA, João
       fases do dia, e em diferentes    bem-estar do artista e do fruidor.        Lima, “Arte Portuguès
                                                                                  Contemporâneo”,
       dias, próximo da atitude dos                                               in Argumentos de Futuro,
       impressionistas. Em Endorphin –                                            Colección MEIAC, Sevilha:
       Horizon / 4.2.00, e Endorphin –                                            Caja San Fernando
       Horizon / 12.11.99, Michael Biberstein    Notas                            e Madrid: Fundación ICO,
       recorre à utilização de lápis-de-                                          2002.
       -cor para registar sobre o papel          1. REBELO, Laura Vitorino,       REBELO, Laura Vitorino,
       a silhueta das formações telúri-           Paisagens (Não) Habitadas,      Paisagens (Não) Habitadas,
       cas que acompanham a linha                 Tese de Mestrado, Évora:        Évora: Tese de Mestrado,
       do horizonte. Em ambos os dese-            Universidade de Évora,          Universidade de Évora, 2017.
                                                  2017, pp. 69-71.
       nhos, as linhas desenhadas com
       cores diferentes estendem-se              2. Idem.
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