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71          (Lisboa, 1953)                  Pedro Calapez




                     O artista Pedro Calapez trabalha no campo da pintura desde finais dos anos
           Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO
                     1970, com aproximações aos valores do concetualismo, mas não perde de vista
                     as referências da pintura antiga, nomeadamente Giotto, Simone Martini e Fra
                     Angelico.  Gradualmente, já durante a década de 1990, observa-se um interesse
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                     pela espacialidade, recorrendo para tal à utilização de pigmentos cromáticos
                     de grande impacto.  Utilizando o alumínio como suporte, Pedro Calapez tem
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                     recorrido interpoladamente ao acrílico e ao óleo. Sendo ambidextro, cria espaços
                     cujas perspetivas elabora por vezes com ambas as mãos, resultando desta atitude

                     a ideia de duplicação, de desdobramento e de sobreposição.  No desenho e na
                                                                                               3
                     pintura, Pedro Calapez recorre aos mesmos impulsos visuais e memoriográficos.





                     Resgata recordações de cons-     RAM 10, de 2001, da série RAM,             Notas
                     truções e de paisagens reais     integra-se num conjunto de
                     e mentais, indaga sobre os       dezasseis variações elaboradas             1. Deste Espaço Luminoso
                     meandros da construção de um     com tinta acrílica aplicada sobre           e Obscuro, Chaves:
                                                                                                  MACNA - Museu de Arte
                     espaço. A ausência de figuração   painéis de alumínio colocados              Contemporânea Nadir
                     acentua o carácter melancólico   segundo uma matriz predefinida              Afonso, 2023-2024, p. 10.
                     das imagens que concebe.  O seu   e um diagrama fixo. Pedro
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                     corpo de trabalho aproxima-se    Calapez, através do cromatismo             2. FARIA, Nuno, Centro
                     do expressionismo abstrato ame-  e da cadência dos painéis, simula           de Arte Moderna José de
                                                                                                  Azeredo Perdigão: Roteiro
                     ricano, do neoexpressionismo     a imensidão espacial articulada             da Coleção, Lisboa: CAM
                     e do pós-minimalismo. 5          com a ideia de infinitude que               – Centro de Arte Moderna
                                                      o mar encerra. Percorrendo RAM              da Fundação Calouste
                     Em 2001, Pedro Calapez e Ignácio   10 com o olhar, o observador              Gulbenkian, 2004, p. 122.
                     Tovar de Sevilla são convidados   confronta-se com um movimento
                     pelo crítico e curador Mariano   reminiscente da fluidez das                3. “Delfim Sardo conversa
                                                                                                  com Calapez”, Entrevista
                     Navarro para conceberem          matérias que, embora lhe recorde            realizada em Setembro
                     Madreagua. Esta exposição, pen-  a sugestão de uma imagem pai-               de 1996, in Pedro Calapez.
                     sada em estreito diálogo entre os   sagística de marés, simula ainda         Obras Escolhidas,
                     dois artistas, pretendia indagar    as superfícies das placas de             1992/2004, Lisboa: CAM
                                                                                                  – Centro de Arte Moderna
                     sobre as questões da água e dos   memória de carácter tecnológico            da Fundação Calouste
                     aspetos a ela inerentes, carac-  pelo modo ordenado da disposição            Gulbenkian, 2004, p. 215.
                     terizados metaforicamente pelo   dos painéis. Existe uma relação
                     contínuo movimento do mar        de interdependência entre                  4. PINHARANDA, João,
                     e das marés, enquanto espaço     o olhar do observador enquanto              Coleção António Cachola:
                                                                                                  Arte Portuguesa nos Anos
                     veiculador de ideias e de acon-  assimilador de conhecimento                 80-90, Badajoz: MEIAC
                     tecimentos. Colocando este       e a própria obra, emissora                  1999-2000, pp. 114–117.
                     princípio em confronto com as    de uma realidade cognitiva.
                     questões da memória artificial,                                             5. FLÓREZ, Fernando
                     Pedro Calapez articula a ideia    RAM 10 foi adquirida à Galeria             Castro, “Arte Portuguès
                                                                                                  Contemporâneo”, in
                     de transmissão de valores com o   Presença, no Porto, e integrou             Argumentos de futuro,
                     do vasto alcance dos dispositivos    a primeira exposição do Prémio          Colección MEIAC, Sevilha:
                     tecnológicos que permitem        EDP, em 2001, na qual Pedro                 Caja San Fernando
                     uma troca e armazenamento        Calapez foi eleito vencedor. Nesse          e Madrid: Fundación ICO,
                                                                                                  2002, p. 94.
                     de informação, como os da        ano, a série RAM é apresentada,
                     memória RAM. Estes valores       pela primeira vez, em Madreagua,
                     são enunciados no título da série   no MEIAC – Museo Extremeño
                     RAM, anagrama da palavra Mar     Ibérico-Americano de Arte
                     que alude também à tecnologia.   Contemporáneo, em Badajoz,
                                                      e depois no Centro Andaluz de
                                                      Arte Contemporânea, em Sevilha.
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