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85          (Funchal, 1930/ Funchal, 2022)  Lourdes Castro




                     Lourdes Castro é um dos rostos da vanguarda artística portuguesa da segunda
           Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO
                     metade do século XX. Desde o início do seu percurso que apresenta um corpo
                     de trabalho pleno de pesquisas concetuais e plásticas, resultantes da problema-
                     tização de questões que enunciam temas de identidade e feminilidade. Lourdes
                     Castro desenvolve uma prática artística inovadora, a partir de um entendimento
                     pessoal do abstracionismo. Evocando memórias da sua infância, e os constran-
                     gimentos da condição feminina da sua época, apresentou propostas distintas no
                     modo de representar canonicamente a natureza, a mulher e o espaço doméstico,
                     aproximando-se do nouveau réalisme.






                     Nos anos 1960, recorrendo        associados às dimensões                    Notas
                     à figuração de elementos naturais    masculina e feminina, e denuncia
                     e objetos do quotidiano obsoletos,    os constrangimentos de uma            CRUA, Catarina, Lourdes
                     a artista agrega-os em collages    sociedade hierárquica, cuja              Castro. CAM – Centro de
                                                                                                 Arte Moderna da Fundação
                     e assemblages, uniformizando-os    ordem permanece aparentemente            Calouste Gulbenkian,
                     através da aplicação de tinta    imutável.                                  gulbenkian.pt/cam/
                     de alumínio. Por outro lado,                                                artist/lourdes-castro/.
                     manuseando suportes como         Figuras, objetos, fundo prateado,          Consultado em 3.5.2025.
                     o desenho, a serigrafia e a pintura,   de 1963, é uma composição na qual    Lourdes Castro, História da
                     Lourdes Castro elege a luz e a   a artista recorre a dois valores           Coleção_ Incorporações_
                                                                                                 Aquisições_ Recibos
                     sombra como matriz constante     cromáticos, definindo silhuetas            de Pagamento aos
                     na criação artística. Adota uma   organizadas de modo aparente-             Artistas_1997-2001_
                     linguagem experimental no modo   mente aleatório. As figuras                Separador 1997.
                     de fixar contornos e de delimitar   e os objetos são sugeridos pelo
                     o desenho do corpo, bordando-o,   desenho da sombra, conservando
                     por exemplo, ou usando o plexiglass    somente a sua silhueta. Apre-
                     translúcido. Lourdes Castro inova   sentam um perfil visualmente
                     na escolha dos suportes, dos ma-  depurado e quase exclusivamente
                     teriais e do cromatismo, e mostra   memoriográfico. Esta representa-
                     a riqueza das suas referências   ção evoca a experiência diarística
                     imagéticas e literárias por detrás   da artista com o espaço envolvente
                     do trabalho em torno da silhueta. 1  e a relação afetiva que mantém
                                                      com os elementos registados com
                     Existem duas obras de Lourdes    tinta branca sobre a superfície
                     Castro na coleção, realizadas    coberta com tinta cor-de-prata.
                     neste período de grande inovação   Também assinala, de certo modo,
                     estética. Travessa Oval, de 1961,   a transição entre os seus trabalhos
                     uma assemblage que agrega        oriundos de um espírito recolector
                     objetos do quotidiano aplicados no   e volumétrico, e aqueles de cariz
                     interior de uma travessa, depois    representativo e planimétrico,
                     pintados com uma camada          resultantes da exploração lumínica
                     monocromática e homogénea de     e figurativa que desenvolve.
                     tinta alumínica. Embora a junção
                     dos objetos, disfuncionais e com   Travessa Oval e Figuras, objetos,
                     novas leituras, em citação ready-  fundo prateado foram expostas
                     -made, pareça aleatória, Lourdes   em Além Sombra, exposição que
                     Castro recorre a elementos       decorreu no CAM – Centro de Arte
                     da esfera doméstica para sugerir   Moderna da Fundação Calouste
                     a época de onde são provenientes.    Gulbenkian em 1992, e adquiridas
                     Evoca-a pela amálgama de objetos     a Lourdes Castro em 1997. 2
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