Page 100 - Fundação MEO - Net Arte no Triângulo das Bermudas
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sucedem-se: “Internet-based art”, “Web art”, “Internet   6.  Ver, por exemplo, Greene
    art”, “net art”, “.art” ou “net.art”. Também surgiram    (2004).
    dúvidas ao pretender designar o fenómeno da net art em   7.  Ver, por exemplo, Bookchin
                                                             e Shulgin (1999).
    Portugal, dúvidas que acompanham as inúmeras hesi-       8.  Ver, por exemplo, Bazzichelli
    tações de investigadores anteriores que se dedicaram     (2009) e Heffernan (2017).
    a este tema. Fora de Portugal, alguns estudiosos deci-   9.  Ver Ippolito (2002).
    diram-se por utilizar a designação de “Internet art” .   10. Ver White (2002).
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    Artistas pioneiros no uso da Internet optaram por utilizar   11. Ver Moss (2019).
    o termo “net.art” . Há autores que preferem refletir     12. Ver Oliveira (2021).
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    sobre a Internet como obra de arte coletiva, e ainda
    outros como uma forma artística em si mesmo . Em todo o caso,
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    tanto a história da net art como os próprios termos para a nomear têm
    se desenvolvido entre o mito  e o erro  mais do que entre certezas.
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        Nesta cronologia optamos por utilizar a designação “net art”.
    Parece-nos que é, no momento, a designação que permite reunir as
    várias etapas e abordagens praticadas pelos artistas portugueses que
    se relacionam com a Internet. O recuo temporal com que observamos
    este fenómeno pelo mundo fora, e não só em Portugal, também
    permitiu-nos considerar esta designação como a mais propícia
    a uma maior longevidade de utilização entre a comunidade de artistas
    e especialistas que cria e estuda as relações entre arte e Internet.
    Podemos falar assim de uma “Internet art expandida” , numa altura
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    em que os termos “Internet art” e “net art”, são sobretudo utilizados
    num sentido histórico.



    O PRINCÍPIO E O FIM: TEMPOS SUAVEMENTE HEROICOS

    Verificamos que o desenvolvimento do campo de interações entre
    arte e tecnologia ou, mais especificamente, qualquer tentativa
    de arte computacional anterior à chegada da Internet no país
    foi reduzida e tardia. Portugal não parece ter sido um território
    fecundo para relações interdisciplinares entre ciência e cultura .
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    Os artistas decididos a estas experimentações constituem casos
    isolados, normalmente nas margens do sistema artístico institu-
    cional. Curiosamente, não é num contexto plenamente artístico,
    mas no âmbito da poesia experimental e, posteriormente, da ciber-
    poesia e ciberliteratura, que surge um interesse profícuo pela expe-
    rimentação e reflexão teórica entre arte e novos media. Poetas
    como Ernesto M. de Melo e Castro e Ana Hatherly são precursores
    do uso de ligações em forma de hipertexto. Melo e Castro publica
    a Poética dos Meios e Arte High Tech numa altura
    surpreendentemente precoce, em 1988. Ana Hatherly realiza para



    Proposta para uma Cronologia
    Proposta para uma Cronologia               100
    – Panorama da Net Art em Portugal
    – Panorama da Net Art em Portugal
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