Page 105 - Fundação MEO - Net Arte no Triângulo das Bermudas
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32. INE, Inquérito à Utilização
de Tecnologias da Informação diversos autores, incluindo Gene McHugh ou Domenico
e da Comunicação pelas Quaranta . A natureza instável e transformadora desta
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Famílias (2003) URL:
https://www.ine.pt/xportal/
https://www.ine.pt/xportal/ tecnologia continua a gerar novas fases que conso-
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destaques&DESTAQUESdest_ lidam elementos da Internet anterior, que se sucedem,
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boui=72149&DESTAQUESmodo=2 tal como o recente desenvolvimento da tecnologia
33. INE, Inquérito à Utilização blockchain. Assim, se em Portugal, em 2003, apenas
de Tecnologias da Informação
e da Comunicação pelas 21,7% dos Portugueses tinham acesso à Internet no
Famílias (2022) URL: 32
https://www.ine.pt/xportal/
https://www.ine.pt/xportal/ espaço doméstico , em 2022, estes números atingem
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xmain?xpid=INE&xpgid=ine_ 88,2%, sendo que 84,6% referem-se a conexões
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boui=541052592&DESTAQUESmodo=2 ligadas por banda larga . Salienta-se que as comu-
34. Ver Murraças (2008). nicações no país começaram a ser mais rápidas com
35. Ver Ministro (2021). a chegada da ADSL, em 2002.
Entre 2004 e 2005 é possível apreciar uma multipli-
cidade de projetos de net art no país. Este facto pode ser percebido
como um “canto do cisne” da mesma, isto é, o momento glorioso
antes do seu fim. Nesta altura, a net art sofre uma profunda transfor-
mação, afastando-se irremediavelmente das formas da sua conceção
inicial. O período pós-Internet chega ao país antes de a net art florescer
nas suas formas mais originais, sendo que nunca se constituiu como
uma rede robusta de comunicação, exposição, coleção ou comercia-
lização de arte. O artigo “Amigos Online” de André Murraças dá conta
de como os artistas portugueses começaram a criar sítios próprios e a
utilizar as redes sociais com regularidade, Facebook, Youtube, Twitter,
entre os anos 2005 e 2010 . Apesar de a Internet passar a ser tratada
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como uma plataforma principalmente comunicativa e comercial,
surgem coletivos como o CADA que integram experimentações com
programas e outras aplicações, com um sentido do online implícito.
Também o caráter de “obra aberta” da net art reaparece, mostrando
a sua capacidade de reutilização criativa em forma de arqueologia dos
media. Um exemplo disso, é a recuperação, em 2021, do poema de
Ana Hatherly pelo poeta e investigador Bruno Ministro intitulado “Isto
foi uma experiência (o computador como mestre)” . Ministro mostra
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como este tipo de projetos digitais podem existir em múltiplas genea-
logias, e ainda contribuir para refletir sobre como a sua preservação,
pode estar mais perto dos processos de reinterpretação do que os da
conservação tradicional. Para outros artistas, como Felipe de Vilas-
Boas, a Internet permite evocar a atmosfera da primeira Internet em
projetos como Le fusionnaire (2023), que pressupõe a criação
coletiva de um dicionário participativo e multicultural, tendo a língua
francesa por base. Também há, cada vez mais, artistas portugueses,
como Raquel André, Rui Filipe Antunes e Adriana Sá, que convocam
a Internet para áreas artísticas como o teatro, a dança e a música
contemporânea, expandido ainda mais a sua natureza criativa.
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Sofia Ponte & Luis D. Rivero-Moreno
Sofia Ponte & Luis D. Rivero-Moreno

