Page 168 - Fundação MEO - Coleção de Arte Contemporânea
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Júlia Ventura
       (Lisboa, 1952)                                                                                         168



       Júlia Ventura é uma artista com um relevante corpo de trabalho a partir do início
       da década de 1980, que questiona os princípios do pós-modernismo e da autor-
       representação. Problematizando os valores da sociedade e os fenómenos da
       comunicação através dos campos da pintura, da fotografia e do vídeo, Júlia
       Ventura adota uma atitude de permanente indagação face à instrumentalização
       da representação que nivela expectativas identitárias e comportamentais, anun-
       ciando preocupações com questões relativas ao género, à identidade e ao feminismo.






       Elege a fotografia como campo    ticulando símbolos geométricos            Notas
       de investigação preferencial,    que criam outros planos cromáti-
       tanto pelo cariz experimental    cos de leitura. A imagem, repre-          1. Júlia Ventura. marcar
       a ela associado, quanto pelas    sentando noções de passividade,            imprimir expor. 1982-2003,
                                                                                   Porto: Fundação de
       possibilidades representativas   relaciona-se com os estereótipos           Serralves, 2004.
       existentes no imediatismo do     sexuais associados muitas vezes
       médium. Colocando-se defron-     a representações femininas.               2. “Júlia Ventura
       te da câmara, e utilizando-se    Enfatiza-se, neste ciclo, a con-           na Culturgest”,
                                                                                   in Umbigo Magazine,
       como elemento referencial,       duta feminina e o seu espaço na            umbigomagazine.com/
       enuncia-se, e à sua experiência,   sociedade, e N.º 5 integra-se na         pt/blog/2024/09/09/julia-
       como premissa da sua pesquisa,   narrativa que confronta imagens,           ventura-na-culturgest-
       articulando-a com referências    cujos significantes se relacionam          lisboa/. Consultado
                                                                                   em 29.9.2024.
       oriundas das manifestações       através do retrato da artista. À
       culturais populares coevas. Júlia   fotografia a preto e branco, Júlia     3. MARMELO, Vera, “Júlia
       Ventura trata a sua mensagem     Ventura sobrepõe um elemento               Ventura 1975-1983”, in
       de modo cuidadoso, subverte os   geométrico cuja rotação coloca             Culturgest, culturgest.
                                                                                   pt/pt/programacao/
       códigos imagéticos para relatar   os vértices tangentes às mar-             julia-ventura-1975-1983/.
       ficções pessoais que suspende    gens e cujo cromatismo permite             Consultado em 24.4.2025.
       cronologicamente, propondo       uma leitura luminosa da retrata-
       de modo ambíguo imagens que      da. Existem, entre as margens da          4. NOGUEIRA, Isabel,
                                                                                   “Júlia Ventura – 1975–1983”,
       metamorfoseiam a interioridade   fotografia e as margens desse              in Contemporânea,
       não só pessoal, mas sobretudo    retângulo, pequenos círculos               contemporanea.pt/
       da própria imagem.  Com o seu    pretos centrados que evidenciam            edicoes/2024/julia-
                        1
       corpo, Júlia Ventura experimenta   a posição da cabeça da figura, já        ventura-1975-1983.
                                                                                   Consultado em 25.10.2024.
       múltiplas posições, de gestos e   enfatizada pela posição do plano
       de expressões faciais para criar e   cromático. Júlia Ventura coloca       5. RAMOS, Fátima; RIBEIRO,
       encenar ambientes que criticam   nos seus trabalhos “um máximo              António Pinto, Arte
       os valores da imagem e da repre-  de expressão com um mínimo de             Contemporânea. Coleção
                                                                                   Caixa Geral de Depósitos:
       sentação.                        recursos”, a autorrepresentação            Novas Aquisições, Lisboa:
                                        “torna-se uma alteridade sofisti-          Culturgest, 2002.
       N.º 5, da série Geometrical Re-  cada e problematizante do Outro,
       constructions and Figures with Ro-  que reflete um Eu e a ele torna,       6. SARDO, Delfim, Júlia
                                                                                   Ventura, in artsandculture.
       ses, de 1987, é uma das variações   numa interpessoalidade subtil” .        google.com/story/
                                                                    2
       do ciclo no qual Júlia Ventura                                              kQWRTuzzqyj19g?hl=pt.
       surge abraçando um bouquet de    A obra foi adquirida na Galeria            Consultado em 30.9.2024.
       rosas com que cobre o busto.     Pedro Oliveira, no Porto, em 1998.        7. Two Ways of Life. Júlia
       Encarando o observador de modo                                              Ventura, Lisboa: CCB –
       provocador, mas quedo, a artista                                            Centro Cultural de Belém,
       recorre ao seu retrato, sobrepon-                                           1997.
       do camadas compostas por di-
       ferentes elementos gráficos, ar-
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