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João Pedro Vale
(Lisboa, 1976) 166
João Pedro Vale estuda escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade
de Lisboa e frequenta o curso de artes visuais da Maumaus – Escola de Artes
Visuais. Desde 2004 que assina a sua obra em coautoria. João Pedro Vale + Nuno
Alexandre Ferreira questionam, através da sua obra, signos coletivos referentes
à identidade, à representação e a matérias do domínio da natureza e da política.
A problematização que criam tira partido da escolha de materiais precários com
os quais também convocam diferentes níveis de leitura.
Com um corpo de trabalho marca- Nuno Alexandre Ferreira com Notas
damente provocador e polémico, a mastigação a que sujeitam 1. ANDRERSEN, Helene
João Pedro Vale + Nuno Alexandre as pastilhas-elásticas, também Nyborg, Entre a instalação
Ferreira desenvolvem uma obra estendem à peça uma atitude e as palavras, in joaopedro
de manifesta tensão política, de intimidade e de fisicalidade, vale.com/jpv.aspx?Lang
onde confrontam conceitos de convocando nela os seus fluídos = PT&Txt=68. Consultado
a 5.12.2024.
poder e de liberdade, de género corporais e confrontando
e de sexo, bem como a iconografia o observador com o processo. 2. PINHARANDA, João,
“Oito Personagens à
dos mitos e a inquietação social. Por outro lado, ainda, a ideia da Procura de Autor”, in
saliva pode citar a discriminação FARO, Pedro; FERREIRA,
Please Don’t Go!, de 1999, é uma a que os homens gays foram Nuno Alexandre;
GROSSO, Inês; VALE,
instalação composta por pastilhas sujeitos a partir dos anos 1980 João Pedro, Casa Vale
elásticas colocadas sobre um em contexto da disseminação Ferreira, Porto: Fundação
tapete, da fase inicial de João da SIDA e a aversão social ao seu Serralves, 2023, p. 37.
Pedro Vale. Peça surpreendente contágio. Esta instalação ilustra 3. GROSSO, Inês, “Bem
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pela sua matéria e simbologia, características que a dupla de vindes à Casa Vale Ferreira,
a instalação deriva da utilização artistas desenvolve em trabalhos ou a arte de não temer”,
in FARO, Pedro; FERREIRA,
de pastilhas elásticas com aroma posteriores. Por um lado, a maté- Nuno Alexandre; GROSSO,
de morango, são mastigadas ria e a experiência sensitiva que Inês; VALE, João Pedro,
e calcadas sobre uma matriz a obra provoca com a utilização Casa Vale Ferreira, Porto:
que adota o tom cor-de-rosa e de materiais inusitados, neste Fundação Serralves, 2023,
pp. 31-32.
a textura da sua descartabilidade caso, o olfato; por outro, a des-
e pisoteamento. Na orla da compo- contextualização de elementos 4. M.M., João Pedro Vale,
Centro de Arte Moderna
sição, lê-se em relevo a expressão perecíveis e de uso quotidiano; José de Azeredo
que intitula a peça Please Don’t e por outro, ainda, o recurso ao Perdigão, Fundação
Go!. Esta expressão em arial black texto que familiariza o observador Calouste Gulbenkian,
475, e itálico, é retirada do refrão e que suscita uma leitura dúbia in gulbenkian.pt/cam/
artist/joao-pedro-vale/.
de uma música coeva e constitui sobre o seu significado, como Consultado a 5.12.2024.
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uma metáfora da dependência a ideia de apego, do contacto, do
emocional. A peça oferece várias desejo e da dependência. Please
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leituras, e até paradoxais, ao Don’t Go! traz à reflexão aspetos
utilizar pastilhas-elásticas para sensoriais e afetivos ao mesmo
cobrir a matriz de um tapete. tempo que sugere uma crítica
Por um lado, está-se perante um aos costumes e à sociedade.
tapete cuja constituição viscosa
não convida a pisar-se, por outro,
a mastigação e o odor a morango
remetem para o universo da
infância em simultâneo com
a convocação de outra leitura
associada ao desejo e à sensua-
lidade, numa crítica social aos
costumes. João Pedro Vale +
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