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Eduardo Batarda
(Coimbra, 1943) 50
Eduardo Batarda é um artista relevante no panorama das artes em Portugal, de sin-
gular espírito crítico. Estuda pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa,
formação que prossegue no Royal College of Art de Londres, com bolsa da
Fundação Calouste Gulbenkian. No início do seu percurso, a partir dos anos 1960,
a sua obra manifesta um gosto pelo experimentalismo, pelo concetualismo e pela
pop art. Com um trabalho marcadamente autoral, associa a figuração afim da
estética assimilada pela banda desenhada e pela ilustração, e do grafismo depu-
rado oriundo do universo da propaganda, gradualmente metamorfoseados por
um ilusório abstracionismo.
Tendo por referentes a história recorrem ao movimento da linha inscrevem linhas cor de alabastro
e a teoria da arte, concebe, de como expressão ambígua do que se propagam de modo pira-
modo inédito e inesperado, uma espaço. No final dos anos 1990 midal ascendente e descendente,
linguagem pictórica cujo programa e início dos anos 2000, restringe reminiscência de um possível
assenta no humor e no comen- a paleta a campos cromáticos plano de ardósia com o qual
tário crítico sobre questões de integrais, matizes negros, pastel a aprendizagem decorria por
ordem erótica, social, política e suas gradações dialo gantes tentativa e erro. 7
e artística, a partir de referências entre si. Mantendo o tom sarcás-
do universo popular e erudito. tico na prática artística, evoca a Em ELV, de 1997, Eduardo Batarda
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A sua pintura articula palavra superficialidade pós-moderna na organiza a pintura horizontalmente,
e imagem e oferece diferentes qual as referências se equivalem apresentando na superfície um
níveis de interpretação resultan- de modo constante. plano azul pintado homogenea-
tes da estudada intertextualidade mente, no qual inscreve as letras
aí patente, que reforçam o carác- Erros 44 (Mecânico), de 1995, E, L e V. Esses elementos, que
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ter estimulante e contundente integra-se no ciclo Erros, equívoco criam formas orgânicas com
das suas propostas. Fá-lo quer de Eros . Nele, o pintor critica um carácter quase figurativo,
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pela sobreposição de referências, de modo cáustico a falibilidade ocupam visualmente a tela pelo
quer pela plasticidade da matéria, do ser humano e, consequen- contraste cromático que as suas
com recurso à aguarela, ao acrí- temente, a do próprio artista. proporções estabelecem com o
lico e à utilização de variações Profícuo em recreações jocosas, plano de fundo. Em Nothing Really
cromáticas saturadas. Durante começando pelo próprio título, (1997), do mesmo ano, o pintor
a década de 1980, a figuração estabelece com a série um resgata o espírito crítico
dilui-se em favor de uma progres- território cáustico de exploração e mordaz da sua prática artística
siva abstratização. Observa-se palimpséstica. Perseguindo nos anos 1980. A composição
uma depuração formal e plástica a ideia de erro, o artista manipula organiza-se em torno de um
assente em soluções imagéticas a pintura, ocultando e desvelando elemento axial cor-de-laranja.
de encriptação e desencriptação erros da ordem da informação, Nela, o entrelaçar de formas que
lúdicas. Eduardo Batarda proble- da composição, de correspon- se dispersam e sobrepõem pelo
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matiza a arte e a sua prática ar- dência, de ortografia e, humoris- espaço, criam-se elementos de
tística com recurso a inscrições. ticamente, apresenta-a de modo morfologia orgânica tratados
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Explora a pintura, evocando ambíguo, já que a ação errada cromaticamente com tons frios
a “abstração pictórica falsamente não é reconhecível pelo observa- e terrosos. Evocando o horror
monocromática” , concebe dor. O que aqui se sugere pode vacui do período inicial, Eduardo
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planos de despojamento formal, ser do domínio da incultura, Batarda pinta com uma atitude
orientados por composições da ignorância ou um desígnio aparentemente improvisada,
de parca figuração e de austera de Eduardo Batarda considerar dispersando inscrições de texto
geometrização. A partir desta o erro enquanto opção estética. na superficíe da tela. Além da
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época, cria complexas estruturas A pintura é um acrílico sobre tela expressão que intitula a obra,
visuais, plenas de tensão e com com superfície coberta por uma existem outras inscrições que
planos de cor dominantes, que paleta escura e densa, na qual se reforçam o seu carácter críptico

