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globalização, noções de autoria e de obra de arte,       8.  Domingues (1997).
    o conceito “ciborgue” e a perceção sensorial através     9.  Por sugestão de José
    da computação e de experiências audiovisuais perfor-     Roseira, acrescento esta nota:
                                                             O termo cibernética tem
    mativas improvisadas. A exposição dá visibilidade a um   origem no grego kybernētēs
                                                             (κυβερνήτης), que significa
    fenómeno que, na sua origem, acompanhou a inovação       “condutor” ou “timoneiro”.
    tecnológica e inspirou experimentação.                   Em República (c. 375 BCE),
                                                             Platão usa a palavra numa
                                                             metáfora náutica que exprime
                                                             a ideia de “arte de governar”.
                                                             No século XIX, o físico
    PRIMEIRAS IMPRESSÕES DA INTERNET                         francês André-Marie Ampère
                                                             utilizou o termo cybernétique
                                                             para se referir às ciências do
                                                             governo, associando-o à ideia
    A chegada da Internet gerou estranheza. Uma              de controle e regulação. Já
    expressão dessa desconfiança encontra-se, por            no século XX, o matemático
                                                             Norbert Wiener ressignificou
    exemplo, nas palavras da jornalista Maria Elisa          o conceito ao definir
                                                             a cibernética como o estudo do
    Domingues, em 1997, ao iniciar o seu programa            controle e da comunicação em
    de televisão dedicado ao tema da Internet:               máquinas e organismos vivos,
                                                             formalizando a disciplina
    “Boa noite, não mude de canal quando ouvir falar na      em 1948 com a publicação de
                                                             Cybernetics: Or Control
    Internet, porque navegar não é tão complicado como       and Communication in the
    se pensa e, além do mais, se não aprender alguma         Animal and the Machine.
    coisa sobre isto, corre o risco de ficar seriamente desa-  10. Ver Barbosa (1996).
    tualizado em relação ao mundo que o rodeia.” 8           11. Ver Top 5% (1998).
        Durante a década de 1990, os vocábulos compu-        12. Ver IPM (2002).
    tacionais anglófonos passaram a coexistir com mais       13. Ver Silva (2005).
    frequência com as palavras da língua portuguesa,         14. Ver Galeria Lisboa 20 Arte
                                                             Contemporânea (2007).
    suscitando inúmeras dúvidas e incertezas, como           15. Ver Carvalho (2009).
    revelado pelo jornalista José Alberto Carvalho no sítio
    Ciberdúvidas, como mostra a figura 1. Um dos prefixos frequentes para
    identificar a “novidade” representada pela Internet foi “ciber” ou “cyber”,
    nas versões portuguesa e inglesa do grego kyber . Neste período,
                                                   9
    misturou-se o português e o inglês de formas bastante criativas. Por
    exemplo, Pedro Barbosa publica A Ciberliteratura: Criação
    Literária e Computador , realiza-se a exposição Cyber
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    98, uma notícia na Top 5% webzine intitula-se “O Cabo da
    Cyber Esperança”  e a Newsletter do Instituto Português de Museus
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    apresenta a galeria online Site-Specific como parte do “cyberespaço”
    do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa . Este termo
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    caiu, entretanto, em desuso. Os termos “net arte” e “net art” surgem
    com mais intensidade uns anos mais tarde. Por exemplo, Luís Silva
    escreve sobre a “net art portuguesa” , a Galeria Lisboa 20 Arte
                                       13
    Contemporânea cria o projeto online LX 2.0, com o propósito de
    “[encomendar] projetos de net arte”  e, Margarida Carvalho dedica
                                       14
    um texto às “Práticas de Net.Art em Portugal” .
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    O Estudo da Net Art em Portugal e a Exposição
    O Estudo da Net Art em Portugal e a Exposição      12
    Net Arte no Triângulo das Bermudas
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