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Inclusão
Carlos Liz desafia o "Portugal Familiarista" e propõe uma nova visão da longevidade
3 agosto 2026
Longevidade com propósito: a reflexão de Carlos Liz no Ponto de Vista
Viver mais anos não significa necessariamente viver melhor. Esta foi uma das principais mensagens deixadas por Carlos Liz, consultor do projeto Idade Maior, na mais recente edição do Ponto de Vista, um espaço de reflexão dedicado aos desafios e oportunidades associados ao envelhecimento da população portuguesa.
Com décadas de experiência na análise de comportamentos sociológicos, Carlos Liz defende que a longevidade deve ser encarada como muito mais do que uma questão demográfica. Para o especialista, envelhecer bem exige propósito e uma linha de horizonte clara
"Sem linha do horizonte, não há longevidade. Sem propósito, as coisas podem durar muito, mas não resultam em nada."
A tecnologia como novo alicerce da sociedade
Um dos temas centrais da conversa foi o impacto da transformação digital na vida das pessoas mais velhas. Carlos Liz considera que a tecnologia se tornou a base de grande parte da vida contemporânea, influenciando o acesso à informação, aos serviços, à saúde e às relações sociais.
No entanto, alerta para as dificuldades enfrentadas por muitas pessoas que cresceram num contexto predominantemente analógico e que hoje são desafiadas a adaptar-se a um mundo cada vez mais digital. Para o consultor do projeto Idade Maior, é fundamental garantir uma transição inclusiva, que permita a participação de todos.
O receio da perda de autonomia
Com base no trabalho desenvolvido no âmbito do projeto Idade Maior, Carlos Liz identifica uma preocupação comum entre as pessoas mais velhas: a perda de autonomia.
Aliado à consciência da finitude da vida, aquilo que mais preocupa muitos idosos é a possibilidade de deixarem de controlar as suas decisões, escolhas e projetos pessoais.
Esta reflexão reforça a importância de criar condições que permitam envelhecer com independência, dignidade e capacidade de participação ativa na sociedade.
A procura de uma curadoria de vida
Durante a conversa, Carlos Liz recordou o início da sua carreira, em 1972, ainda durante o período da ditadura em Portugal, para refletir sobre a influência que os contextos históricos e culturais exercem nas gerações.
Segundo o especialista, existe uma forte vontade de atuar como "curadores" do próprio percurso, valorizando experiências, aprendizagens e contributos para as gerações futuras.
A crítica ao "Portugal Familiarista"
Um dos momentos mais marcantes da intervenção foi a análise crítica ao que Carlos Liz designa como "Portugal familiarista".
Segundo o consultor, existe frequentemente uma tendência para viver em função dos filhos e da família, adiando interesses pessoais, projetos e objetivos próprios. Esta realidade pode contribuir para uma espécie de "longevidade hipotecada", limitando a construção de uma vida autónoma e participativa.
O podcast Ponto de Vista
Criado pela Fundação MEO, o Ponto de Vista é um podcast que dá voz a diferentes perspetivas sobre temas relevantes para a sociedade contemporânea, como a inclusão, a literacia digital, a arte, a educação e a tecnologia.
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