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radiofónicas e no processo de arquivo dos ficheiros, um dos
                         episódios perdeu-se. A versão do projeto nesta exposição pressupôs
                         a criação de um ponto de escuta dos cinco episódios preservados
                         do programa de rádio. Incluiu-se os alinhamentos dos seis episódios,
                         fotografias captadas pelo coletivo durante o período da sua
                         gravação, o seu manifesto e um exemplar do catálogo da exposição
                         da XV Bienal de Cerveira, contexto expositivo que deu origem a este
                         projeto artístico.
                             É cada vez mais frequente que os projetos de arte digital
                         sofram mudanças ao longo do tempo, gerem outras versões, ou
                         até deixem de existir pela dificuldade do seu arquivo, mas também
                         devido a conflitos entre as empresas da denominada “Big Tech”. Por
                         exemplo, quando a Adobe comprou a Macromedia, em 2005, deu-se
                         início a uma morte lenta de certos programas e ao sumiço de uma
                         parte da história da Internet, uma vez que os navegadores atuais
                         não suportam os formatos da Macromedia. O desaparecimento de
                         programas, como o Director da Macromedia, e a transformação da
                         tecnologia tornam difícil ler código antigo e manter certos sistemas
                         a funcionar. Os projetos de Beatriz Albuquerque e de Luísa Ribas
                         & João Cruz foram criados num ambiente da Macromedia, e por isso
                         são incompatíveis com Internet atual. A apresentação destes projetos
                         não se cingiu aos dispositivos computacionais onde foram colocados,
                         foram adicionados alguns elementos, relativos ao contexto que
                         lhes deu origem, mas também para melhor compreender a natureza
                         instável do suporte em que foram criados.
                             No que diz respeito aos projetos Amusing Ourselves
                         to Death (AO2D) (2002), de Luísa Ribas & João Cruz, e Olhos
                         (2003), de Beatriz Albuquerque, o primeiro foi criado no extinto
                         Director e o segundo no progama Flash (Action Script 1.0), entre-
                         tanto comprados pela Adobe. Instalamos cada um em computadores
                         onde é ainda possível ter a funcionar certas aplicações que permitem
                         aceder a ficheiros SWF (Shockwave Flash). O projeto de Luísa Ribas
                         e de João Cruz exigiu um processo de emulação para ser ativado,
                         que adiante descrevo. Beatriz Albuquerque ofereceu duas possibili-
                         dades de apresentação do seu trabalho: uma, através de um vídeo
                         realizado pela artista que capta a sua interação com a interface,
                         e outra, que permite apresentar a sua versão original e interativa,
                         porque a artista mantém os seus ficheiros SWF. Foi esta última
                         versão que nos interessou. Para além da interface interativa instalada
                         num computador, expôs-se dois livros de artista da sua autoria. Um
                         dos livros surge digitalizado e animado em Olhos. O outro permite
                         aceder ao processo criativo da artista. Apesar destes livros não terem
                         estado disponíveis para consulta, apresentou-se um vídeo, instalado


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           Sofia Ponte
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