Leonel Moura Lascaux 2.0

15 abril a 15 de junho
Espaço Fundação MEO, Fórum Picoas
2ª a 6ª feira das 9h às 18h
Oferta de obra do artista, todas as 3ª e 5ª feiras das 14h às 18h
Entrada livre



Esta exposição reúne um conjunto de obras que explora a criação artística como processo autónomo, resultado da interação entre algoritmos, robótica e sistemas de decisão não humanos. Ao longo do percurso expositivo, a arte é apresentada não como representação ou expressão subjetiva, mas como comportamento emergente, produzido por sistemas capazes de agir, gerar formas e deixar marcas no espaço.

LASCAUX 2.0

INSTALAÇÃO

Lascaux 2.0.

 
Instalação Lascaux 2.0.

É o núcleo conceptual da exposição. Inspirada na lógica das grutas pré-históricas, esta obra cria um ambiente imersivo cujas paredes são integralmente ocupadas por desenhos realizados por robôs autónomos. Tal como nas primeiras manifestações artísticas humanas, o que aqui se evidencia não é a imagem enquanto representação, mas a repetição do gesto, a acumulação de traços e a inscrição contínua no espaço. A gruta torna-se um território de ação, onde a autoria se dilui em processos e sistemas.

  • Robô  Pintor

    Robô Pintor

    Noutro ponto da exposição, um robô pintor atua em tempo real, produzindo desenhos ou pinturas de forma autónoma. O visitante presencia o processo de decisão da máquina, os desvios, hesitações e repetições que caracterizam um comportamento não determinístico.

     

    Cada obra resulta de um conjunto de regras simples, interação com o ambiente e dinâmica temporal, afirmando a pintura como acontecimento e não como objeto previamente concebido.

     

    A exposição inclui ainda uma série de telas realizadas por robôs, nas quais se torna visível a lógica algorítmica e o princípio da emergência. As composições não obedecem a modelos formais pré-estabelecidos, mas revelam padrões que surgem da ação continuada do sistema, aproximando a prática artística de processos naturais e biológicos.

  • Rosae

    Rosae

    Por fim, as esculturas geradas por algoritmos – Rosae, expandem estes princípios para o espaço tridimensional. A forma resulta de processos computacionais que exploram crescimento, repetição e variação, materializados através de técnicas de fabricação digital. Estas obras tornam visível a passagem do código à matéria, do cálculo abstrato à presença física.

VÍDEOS

Gerados por IA

 

Para além de um vídeo de enquadramento sobre a obra de Leonel Moura, a exposição inclui um conjunto de pequenos vídeos gerados por sistemas de Inteligência Artificial. Estas peças exploram a ideia de autonomia da máquina criativa, questionando a relação entre geração algorítmica, decisão e expressão visual.
Os vídeos não ilustram obras existentes, mas prolongam o pensamento do artista para o domínio da simulação e da imagem em movimento, tornando visíveis processos onde a criação emerge de sistemas não humanos.

No conjunto, a exposição reflete um modo de trabalho baseado na delegação do gesto criativo a sistemas autónomos.
A tecnologia não é aqui instrumento nem meio expressivo, mas agente ativo de criação. A arte surge como resultado de processos, comportamentos e decisões distribuídas, apontando para uma redefinição profunda da autoria e da própria noção de criatividade no contexto da arte contemporânea.

Exposição Manuel Moura

Biografia
Leonel Moura

Leonel Moura é um artista pioneiro no desenvolvimento de sistemas artísticos autónomos, trabalhando desde o início dos anos 2000 com algoritmos generativos, robótica e inteligência artificial. O seu trabalho explora processos de emergência, decisão e auto-organização, nos quais o gesto criativo é delegado a máquinas capazes de produzir obras de forma independente, sem controlo humano direto.

 

A sua prática desloca a noção tradicional de autoria do sujeito humano para sistemas não humanos, questionando os limites da criatividade, da intenção e da responsabilidade estética. Robôs que desenham e pintam autonomamente, bem como algoritmos que geram formas e composições, constituem o núcleo de uma investigação artística contínua sobre a possibilidade de criatividade artificial.

 

Ao longo de mais de duas décadas, o seu trabalho tem sido apresentado internacionalmente em museus, bienais e instituições científicas, situando-se na confluência entre arte, ciência e tecnologia. Em vez de utilizar a tecnologia como ferramenta, Leonel Moura afirma-a como agente criativo, antecipando debates centrais sobre inteligência artificial, autonomia e produção cultural no século XXI.

O que é Lascaux 2.0?

Lascaux 2.0 aproxima a origem da arte humana da emergência de comportamentos criativos em sistemas artificiais, estabelecendo uma continuidade conceptual entre dois momentos aparentemente distantes: o surgimento das primeiras práticas simbólicas humanas e a atual produção artística por máquinas autónomas. Em ambos os casos, a arte não surge como resultado de um projeto representacional plenamente consciente, mas como consequência de um gesto inaugural, de uma ação situada no mundo que antecede a intenção estética formalizada.

A instalação propõe uma leitura da arte rupestre não como mera representação do real, mas como manifestação de um comportamento emergente, ligado à exploração do espaço, à repetição de gestos e à construção de marcas persistentes no ambiente. Do mesmo modo, os sistemas robóticos e algorítmicos apresentados em Lascaux 2.0 não reproduzem imagens predefinidas nem executam modelos externos: operam através de regras simples, interação com o meio e processos de decisão autónoma, gerando formas como resultado de um comportamento em evolução.

Ao deslocar o foco da imagem para o processo, Lascaux 2.0 questiona a centralidade da mão humana como origem exclusiva da criação artística. A gruta simulada torna-se um espaço de inscrição onde a autoria é distribuída entre sistemas artificiais, condições ambientais e tempo, aproximando a prática artística de fenómenos naturais e biológicos. A criatividade emerge não da representação, mas da ação contínua, da adaptação e da acumulação de traços.

Neste contexto, Lascaux 2.0 propõe a ideia de uma nova origem da arte, não já ancorada no humano enquanto sujeito criador, mas em sistemas capazes de agir, aprender e produzir marcas de forma autónoma. A instalação sugere assim um horizonte em que a arte deixa de ser exclusivamente humana para se tornar um campo partilhado entre agentes naturais e artificiais, antecipando uma cultura em que máquinas não apenas executam, mas participam ativamente na construção do imaginário coletivo.

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Perguntas Frequentes sobre Leonel Moura

1. Quem é Leonel Moura?

Leonel Moura, nasceu em 1948, em Lisboa e é um artista português pioneiro na ligação entre arte, inteligência artificial e robótica. Depois de iniciar carreira na fotografia, tornou‑se conhecido internacionalmente por criar robôs pintores e sistemas de arte autónoma - máquinas capazes de decidir, criar e até assinar as suas próprias obras. Entre as suas criações mais reconhecidas estão o RAP (Robotic Action Painter) e o Robotarium, o primeiro “zoo” de robôs do mundo.

2. O que é a exposição “Lascaux 2.0”?

“Lascaux 2.0” é uma instalação que aproxima a origem da arte humana de comportamentos criativos gerados por sistemas artificiais autónomos. A obra recria uma “gruta” cujas paredes são preenchidas por desenhos feitos por robôs, questionando a autoria e o papel da máquina no processo artístico.

3. Que tipo de obras posso ver na exposição?

A exposição reúne desenhos e pinturas criados por robôs autónomos, esculturas geradas por algoritmos (Rosae), vídeos sobre o trabalho do artista e pequenos vídeos produzidos por sistemas de Inteligência Artificial, explorando a autonomia da máquina criativa.

4. Quando e onde decorre a exposição?

A exposição está patente no Espaço Fundação MEO, no Fórum Picoas, de 15 de abril a 15 de junho, de segunda a sexta-feira, entre as 9h e as 18h. A entrada é gratuita para todos os visitantes.