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Inclusão
Ponto de Vista: Não pode ser um diagnóstico que identifica a pessoa
7 setembro 2026
José Celestino, Presidente da Direção da APCAS - Associação de Paralisia Cerebral Almada-Seixal, partilha a sua visão sobre inclusão, acessibilidade e participação, defendendo que a deficiência não define uma pessoa nem limita o seu potencial.
"Não pode ser um diagnóstico que identifica a pessoa."
É com esta convicção que José Celestino, Presidente da Direção da APCAS - Associação de Paralisia Cerebral Almada-Seixal, partilha a sua experiência enquanto pai de um jovem com paralisia cerebral e reflete sobre os desafios e oportunidades que marcam o caminho de muitas famílias.
No mais recente episódio de #Ponto de Vista, o convidado revisita um percurso marcado por desafios, aprendizagens e superação. Do impacto inicial do diagnóstico, que descreve como a queda de uma "bomba atómica", à construção de uma vida assente na procura de soluções, a sua história é um testemunho de resiliência e determinação.
Ao longo da conversa, destaca a importância das tecnologias de apoio à comunicação, a necessidade de garantir uma maior acessibilidade nos contextos culturais e sociais e o papel fundamental dos cuidadores na promoção da autonomia e da qualidade de vida das pessoas com deficiência.
A importância das tecnologias de apoio à comunicação
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo seu filho foi a impossibilidade de comunicar.
"Não poder falar era a maior dificuldade para o meu filho", recorda José Celestino.
A evolução das tecnologias de apoio à comunicação veio transformar esta realidade, permitindo que muitas pessoas com deficiência possam expressar-se, estudar, escrever, relacionar-se com amigos e participar de forma mais autónoma na sociedade.
Para José Celestino, estas ferramentas representam muito mais do que inovação tecnológica. Representam oportunidades de participação, inclusão e independência, abrindo novas portas para o mundo.
A cultura como espaço de inclusão
A acessibilidade cultural surge também como um dos temas centrais deste episódio.
José Celestino destaca iniciativas que promovem a participação das pessoas com deficiência em concertos, festivais e outras experiências culturais, defendendo que a verdadeira inclusão acontece quando todas as pessoas podem viver plenamente os momentos que valorizam.
Na sua perspetiva, a integração acontece quando a sociedade normaliza a diversidade e cria condições para que cada pessoa possa participar, celebrar e partilhar as suas paixões em igualdade de circunstâncias.
Cuidar de quem cuida
Ao longo da conversa, deixa ainda um apelo para uma realidade muitas vezes esquecida.
"Cuidar do cuidador é fundamental."
A partilha de experiências, dificuldades e aprendizagens entre cuidadores constitui uma rede de apoio essencial para as famílias, contribuindo para o bem-estar de todos os envolvidos.
Enquanto pai e cuidador, defende que o trabalho em comunidade faz a diferença e reforça a importância de criar espaços de suporte capazes de responder aos desafios do dia a dia.
Um compromisso com a inclusão
Enquanto Presidente da APCAS, José Celestino assume a missão de promover a participação ativa e a inclusão saudável das pessoas com deficiência, apoiando simultaneamente as suas famílias e cuidadores.
Um compromisso que, garante, ultrapassa qualquer cargo ou função.
"Vou continuar na associação. Não como presidente, mas estou cá sempre como voluntário para poder ajudar, porque satisfaz-me muito ajudar o próximo."
Mais do que uma conversa sobre deficiência, este episódio de Ponto de Vista é um testemunho sobre resiliência, acessibilidade, participação e sentido de missão. Um convite a olhar para a pessoa antes da condição e a construir uma sociedade mais acessível, inclusiva e humana.
O podcast Ponto de Vista
Criado pela Fundação MEO, o Ponto de Vista é um podcast que dá voz a diferentes perspetivas sobre temas relevantes para a sociedade contemporânea, como a inclusão, a literacia digital, a arte, a educação e a tecnologia.
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