Page 21 - Fundação MEO - Coleção de Arte Contemporânea
P. 21
21 “Visibilidade pública do projeto”: neste último período. Da primeira, é uma
colecionar para divulgar instalação intitulada Fato II da série Fatos, que
a artista vestira performativamente na Galeria
¶ A Coleção de Arte Contemporânea Municipal da Mitra, em Lisboa, e para aqui
Coleção de Arte Contemporânea Fundação MEO Coleção de Arte Contemporânea Fundação MEO Coleção de Arte Contemporânea Fundação MEO
cresceu sem parâmetros cronológicos e con- concebidos, em 2004, como uma segunda
cetuais rígidos, com um ritmo menos intenso, pele e uma extensão do seu corpo (Doc. 9). Foi
depois daquele período definidor. Muitos comprado à Galeria Vera Cortês. Para Martinha
artistas estão representados com obras de Maia, tratava-se de um “exercício do desloca-
qualidade e configuram referências históricas mento do corpo no espaço, transformando-o
para outros mais jovens na coleção. Desejava-se numa outra dimensão, num novo corpo ou na
61
coerência estética, atualidade artística sua ausência”, afirma . Também se comprou
e diálogo entre gerações. A obra de Helena um conjunto de desenhos a caneta Sem título,
Almeida e de Ana Vieira, por exemplo, suscitam à GIEFARTE, notáveis na sugestão orgânica de
afinidades com o trabalho de Martinha Maia. formas abstratas criada pelos jogos de claro/
/escuro. Da segunda, Mafalda Santos, foi com-
¶ Esta coleção mostra a cumplicidade prada a pintura Sem título, de 2006, através da
entre os atores envolvidos, os artistas propo- Galeria Presença. É uma pintura abstrata que
nentes e propostos, e observa-se um cuidado cria a ilusão de alargamento da tessitura, de
na procura de consensos e na legitimação dos uma rede deslaçada com pequenas quadrícu-
percursos através dos curricula. Referimos las desordenadas. Outras obras foram doadas
Imagens para os anos 90 e Inmemory, oscilações por artistas (Inês Cannas, Ana Pérez Quiroga,
no pictórico como exposições exemplificativas Alice Geirinhas, Maísa Champalimaud)
da atenção dos assessores à atualidade e outras, ainda, foram assimiladas, provindas
da programação artística. Poderíamos, ainda, de empresas instituidoras do grupo (como
mencionar a Alternativa Zero, Tendências foi o caso de Pedro Cabrita Reis e de Eduardo
Polémicas na Arte Portuguesa Contemporânea, Nery). Em 2024, foram integradas obras de
de 1977, curada por Ernesto de Sousa, na qual três artistas, a partir de projetos desenvolvidos
participaram cerca de uma dezena de artistas na Fundação. As peças de Ragnar Kjartansson,
que seriam integrados na coleção Portugal artista islandês hoje referencial pela hábil
Telecom, e pelos assessores classificados manipulação de médiuns, ingressaram
como “nomes incontornáveis”. na coleção no contexto do apoio concedido
à Anozero – Bienal de Arte Contemporânea
¶ A participação dos artistas em expo- de Coimbra. No âmbito do Prémio Norberto
sições individuais, em espaços museológicos Fernandes – edição de 2024, foram integradas
e em galerias de arte, atraiu a atenção dos as obras dos premiados na coleção: Rudolfo
assessores. A pintura de Pedro Casqueiro Quintas, na categoria Arte e Tecnologia,
integrou a exposição retrospetiva no Centro e Maria Trabulo, na categoria Jovens Artistas.
de Arte Moderna da Fundação Calouste
Gulbenkian, em 1997; a pintura de Pedro ¶ O levantamento realizado em arquivo
Calapez, RAM, encontrava-se, no momento da permitiu apurar que as obras provieram direta-
aquisição, à consignação do Museo Extremeño mente do ateliê dos artistas e das galerias de
Ibero Americano de Arte Contemporânea. arte, em percentagens equivalentes. Diretamente
aos artistas foram compradas 66 obras e, com
¶ Informação em arquivo indica que, a mediação das galerias, foram incorporadas
em termos numéricos, no ano de 1997, foram 71 obras.
adquiridas 30 obras para a coleção. No ano
seguinte, ingressaram 22 obras; em 1999,
foram compradas 34, o ano que apresenta
o valor mais elevado. Em 2000, não há registo
de aquisições. Em 2001, entraram 19 obras e,
em 2002, entraram 4 peças. Entre 2004-2005,
contabilizam-se 28 obras. Apesar do cresci-
mento que se estimou para a coleção, depois 61.
de 2004, ingressaram obras em número residual. MAIA, Martinha, Performance
Fatos, Galeria Mitra, Lisboa,
Martinha Maia e Mafalda Santos entraram 26 de setembro de 2004.

