Page 20 - Fundação MEO - Coleção de Arte Contemporânea
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Belas-Artes, que explorou o conceito de arquivo Risco na Galeria Cesar, Deep Blue é uma ins- 20
na criação, terá servido de estímulo à proposta talação feita com tubo de rega translúcido,
feita pelos assessores. Inês Botelho apresentou, preso à parede com anilhas, que desenha
na referida exposição, dois desenhos um submarino norte-americano inclinado
a tinta-da-china sobre papel, ambos Sem título, em queda livre, do tempo da segunda guerra
de 2001, que foram adquiridos diretamente mundial, que fez parte de um plano secreto
à artista. Os “desenhos cartográficos” de Inês de ataque aos alemães. Obra de motivação
Botelho “aliam ao traçado de plantas e estru- política, Deep Blue é também um termo que veio
turas arquitetónicas, topografias semiocultas a ser usado no xadrez pela sugestão de estra-
pela mancha negra” . De Pedro Almeida Paiva tégia, além de poder configurar um néon feito
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e João Maria Gusmão, artistas que trabalharam de outra maneira, com colina misturado com
em dupla entre 2001 e 2021, a proposta não água, ou aguarela . João Pedro Vale é autor de
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se efetivou porque não há obras da sua autoria Please Don’t Go!, de 1999, adquirida diretamente
na coleção. Ana Cardoso assina duas pinturas ao artista, em 2001. Obra inicial, de carácter
sobre tela, de 2000, que foram adquiridas na provocativo e irónico na expressão da letra pop
Galeria Castelo 66, em Lagos, em 2001. Esta e nos materiais usados, as pastilhas elásticas
galeria tinha, na época, Xana como diretor com sabor a morango, mastigadas e aplicadas
artístico, responsável pela programação, e que sobre alcatifa industrial com a forma de um
pertencera ao Grupo Homeostético com obra na quadrado (Doc. 8). O uso de materiais fora de
coleção, daqui se deduzindo cumplicidade com contexto, os vários significados que oferece,
os assessores. Nas pinturas de Ana Cardoso da o desejo e alusão de intimidade, reforçam
coleção, a artista recorre a um sistema de balão, a leitura sarcástica da instalação.
usual na BD, para inserir as pinturas, como se se
tratasse de uma fala com código visual próprio .
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¶ Rosa Almeida, Rui Toscano, Pedro
Cabral Santo, João Pedro Vale, Alexandre
Estrela, João Vilhena e Diogo Pimentão, em-
bora não constem entre os “novos ou em fase
de afirmação”, fazem parte da coleção e foram
integrados quando eram artistas jovens. Esta
característica faz com que, na coleção, se
observem os novos valores. Mas há outro fator
que se releva: estes artistas trabalham no
domínio da instalação, da escultura e do vídeo,
contribuindo para que a coleção se mostre
mais diversificada em termos de médiuns.
Rosa Almeida tem três peças na coleção, dois
trabalhos sobre papel de 2000, e um terceiro,
uma instalação de parede intitulada Smoke
Get In Your Eyes (“New York, New York”), de
2001. Inicialmente feita em Londres, quando
estudou na Slade School of Fine Art, em 1996,
a artista evoca nela o prazer que a música
despoleta, conjugando a palavra escrita com
a transparência do celofane. Rui Toscano assina
a escultura T, de 1998. É um radiogravador
portátil colocado em cima de uma coluna 58. 60.
RUIVO, Ana, “Inmemory
Informação facultada pelo
preta, à altura do próprio artista, que repeti- ZDB”, in Expresso, 27 artista Pedro Cabral Santo,
damente reproduz a letra T, reforçando que outubro de 2001, Arquivo gravada pela autora, em
se trata de um autorretrato, composto pela Fundação MEO. Lisboa, no Fórum Picoas,
a 3 de março de 2023.
forma da letra inicial do sobrenome, também 59.
audível. Pedro Cabral Santo é autor da insta- PINHARANDA, João,
lação, Deep Blue (a secret emotion), de 1999. “Lagos são os lagos”, in
Público, 11 de agosto de 2001.
Peça feita para a exposição coletiva intitulada Arquivo Fundação MEO.

