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15 da realidade contemporânea, usando a grande sobre tela, retangular, que encaixa numa
escala. Erros 44 (Mecânico), de 1995, é uma estrutura maior, também retangular, em aço,
pintura, de entre “três ou quatro quadros”, cuja volumetria é reforçada pela tensão que
sobre a qual afirma: “o que se vê – ou lê – no os diferentes materiais provocam. O despoja-
quadro são palavras e frases erradas de várias mento minimal da estrutura contrasta com a
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maneiras. Ou os ‘nomes’ de ideias erradas, matéria de que é feita a obra. A segunda peça
escritos corretamente”. O uso de palavras é um desenho a carvão sobre papel, exposto
pintadas com humor e ironia observa-se na inauguração da Galeria Coluna,
em Nothing Really, de 1997. Inscritas num em Guimarães, naquele ano de 1991.
emaranhado de formas e de linhas que se
entrelaçam, manifestam, segundo o artista, ¶ Depois dos “nomes incontornáveis”
uma “preocupação com a História dos Estilos”, e dos artistas com “currículo nacional
contradizendo-se de seguida quando afirma e internacional”, a dupla de assessores propôs
que “não é problema que se aplique ao traba- uma terceira linha de trabalho no programa
lho” , numa crítica à interpretação que lhe é de aquisições de 1997. Trata-se de “nomes
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habitual. Do mesmo ano, de 1997, ELV é uma de uma geração mais recente que têm,
composição plana, de contenção formal. no entanto, currículos consolidados” .
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¶ Jorge Martins tem duas obras na cole- ¶ A dar corpo a essa “geração mais recen-
ção, um óleo sobre tela, comprado ao artista, te”, e sinalizando a transição face à geração
e um desenho sobre papel, por si doado, ambos antecedente, referem-se Manuel João Vieira,
no ano de 1997. O óleo, Todo o visível vem do Pedro Portugal, Pedro Proença e Marta
invisível, de 1973, é uma pintura plana, rodeada Wengorovius, artistas que começaram a expor
por palavras retiradas do texto Fragmentos, nos anos 1980. Os três primeiros têm cumpli-
de poeta alemão do Romantismo, Novalis, que cidades estéticas: pertenceram ao movimento
alude à ideia dos opostos, o visível e o invisível, artístico Homeostético surgido no início dos
o audível e o inaudível, o tangível e o intangível, anos 1980, embora com percursos singulari-
o concebível e o inconcebível . Jorge Martins zados. A representatividade de grupos esté-
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criou uma pintura com duas cores justapostas, ticos não foi uma estratégia perseguida pelos
o azul e o encarnado, intersetadas por um assessores, recorda-se, tal como não se visou
relevo criado por uma luz branca na horizontal, formar núcleos na coleção. Há artistas que
em tromp-l’oeil, que ilude o observador porque pertenceram a grupos, mas os grupos não
sugere volumetria na superfície . estão representados na coleção (por exemplo,
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Lourdes Castro e o KWY, Ângelo de Sousa e
¶ Fernando Calhau figura na coleção o Grupo dos 4 Vintes, o Grupo Acre, Gerardo
com a peça #50, de 1988, e #49, de 1991, ambas Burmester e o Grupo Puzzle, o Grupo 8 ou
adquiridas diretamente ao artista, em 1997. Pedro Portugal, Fernando Brito, Manuel João
A primeira foi apresentada na Galeria Cómicos, Vieira e os Ases da Paleta).
em 1989, na exposição Pintura. O título #50
remete para o gosto de criar séries de trabalhos. ¶ Em relação aos Homeostéticos, os seus
Esta pintura, para fazer jus ao título da membros foram colegas na Escola Superior
exposição, é constituída por um acrílico negro de Belas-Artes de Lisboa – Manuel João Vieira,
35. 36. 37. 38.
BATARDA, Eduardo, Eduardo Veja-se a tradução de: Rui DUARTE, Adelaide; “Todo “Programa de aquisições.
Batarda no CAMB, Oeiras: CHAFES (seleção, tradução o visível vem do invisível. 1997”, documento subscrito
Câmara Municipal de Oeiras, e desenhos), Fragmentos Obras da coleção de arte por Marina Bairrão Ruivo
2010, p. 14. de Novalis, Lisboa: Assírio contemporânea da Fundação e Pedro Portugal. Arquivo
e Alvim, 2000, p. 71. Altice”, in DUARTE, Adelaide; Fundação MEO.
GARCEZ, Paulo (Ed.), Todo
o visível vem do invisível.
Obras da coleção de arte
contemporânea da Fundação
Altice, Lisboa: Fundação
Altice, 2023, p. 11.

