Page 10 - Fundação MEO - Coleção de Arte Contemporânea
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artes. O investimento nas artes por empresas, com vista à sua divulgação e empréstimo 10
não sendo um fenómeno novo, torna-se um para exposições temporárias. Também ten-
padrão naquele período, sobretudo entre cionavam preparar o catálogo da coleção.
países industrializados. Normaliza-se a cons- Em termos de armazenamento das peças, foi
tituição de coleções de arte contemporânea sugerido depositar parte da coleção numa ins-
por empresas, uma ação que faz apelidar tituição museal, pois o objetivo primeiro seria
estas iniciativas de “Os Novos Médicis”, onde, o de dispor as obras nos edifícios da empresa,
para enfatizar a sua importância simbólica, nos espaços públicos e privados, como gabi-
se evoca o papel dos patronos renascentis- netes, salas de reuniões, auditórios, corredores
tas . Por outro lado, o crescimento económico, e até fachadas de edifícios e jardins.
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e a concentração de riqueza por empresas,
também deu condições de sensibilização ao ¶ O último ponto refere-se à alínea 3)
setor privado para questões da responsabili- Planificação orçamental, na qual os assessores
dade social e de filantropia, sublinhando propuseram uma dotação inicial no valor de
os benefícios da cultura até para a promoção 15.000.000 (quinze milhões) de Escudos, para
das atividades empresariais . aplicarem em aquisições prioritárias e consul-
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toria. As propostas eram sujeitas a aprovação,
¶ As razões justificativas para investir com a referência do valor da peça e a justifica-
numa coleção empresarial foram complemen- ção da escolha. Anualmente, seriam apresen-
tadas com a definição de critérios. Os asses- tados um relatório de aquisições e um balanço
sores sugeriram à Portugal Telecom a consti- do programa. Mais se sugeriu que o programa
tuição de um fundo de arte contemporânea de de aquisições acontecesse durante um período
acordo com a natureza da empresa e com os mínimo de cinco anos .
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objetivos que perseguiam. Por um lado, a políti-
ca colecionista permitia à empresa associar-se ¶ A proposta para a constituição da
à atualidade da produção contemporânea, coleção foi aprovada em Conselho de Admi-
apoiando a “investigação artística que faça nistração, a 4 de julho de 1996, recordamos.
uso de tecnologias de comunicação (projetos Mas a nota interna justificativa da aprovação
experimentais em internet/www e realidade acrescentou que tal foi feito a pedido de Leston
virtual)” . Por outro, alegou-se a possibilidade Bandeira, o diretor do Gabinete de Comunica-
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de beneficiar da crescente valorização das ção e Imagem e do Gabinete de Promoção e
obras, entendendo “as aquisições como Publicidade, a Pedro Portugal, que a formulou
potencial investimento”, assente na “origina- e subscreveu com Marina Bairrão Ruivo. Lê-se
lidade e singularidade das peças”, bem como também a alusão ao investimento que a coleção
na sua “coerência plástica”. Referiram-se, representava e o prestígio que se lhe associa .
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ainda, aos benefícios da experiência cultural
e da estética nos trabalhadores da empresa ¶ No que se refere ao conceito da coleção,
e nos clientes, privilégios com uma clara a Proposta para a constituição de uma coleção
reverberação na própria imagem da empresa, de arte contemporânea da Portugal Telecom,
como também se lê na proposta. ainda que mencione o uso das tecnologias de
comunicação, através de projetos experimentais
¶ No que concerne ao ponto 2) Organi- e da realidade virtual, em clara aproximação à
zação do acervo, os assessores planearam estrutura genética da empresa, não desenvolve
criar fichas individualizadas das obras, que se como o operacionalizaria, ou seja, que artistas
fariam acompanhar dos curricula dos artistas, e que obras exemplificariam este conceito.
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MARTORELLA, Rosanne; Art SANTOS, Maria de Lourdes Pedro Portugal, idem. Nota Interna de Leston
and business: an international Lima dos; CONDE, Idalina, Bandeira, diretor GCIP,
perspective on sponsorship, “O mecenato cultural 9. dirigida a Francisco Murteira
Westport, Conn, Praeger, de empresa em Portugal”, Idem Nabo, presidente do
1996, p. 3. in Análise Social, vol. 25 (107), Conselho de Administração,
1990, p. 375, p. 393. em 1/07/1996. Arquivo
Fundação MEO.

