Page 9 - Fundação MEO - Coleção de Arte Contemporânea
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9          Coleção de Arte                                   de assessores responsável pela formação da
                                                                                                                   2
                     Contemporânea                                     coleção de arte contemporânea portuguesa .
                                                                       A esta dupla coube planear as aquisições
                     Fundação MEO:                                     de obras de arte contemporânea portuguesa,
                                                                       com critérios técnicos e estéticos que
           Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO                                                                  Coleção  de  Arte  Contemporânea  Fundação  MEO
                     origem                                            definiram. Para o efeito, foi alocado o valor
                                                                       de 20.000.000 (vinte milhões) de Escudos
                                                                       para aquisições, uma verba aprovada em nota
                                                                       interna, que se repetiu nos anos seguintes, de
                                                                       1998 e 1999, em igual valor, mas que foi reduzida
                                                                       em 2000 .
                                                                                3

                     ¶      Abrimos este texto com as palavras de      ¶       Aquela proposta foi acompanhada por:
                     Norberto Fernandes em epígrafe, o Presidente      1) Razões e critérios para um fundo de arte
                     Executivo da Fundação Portugal Telecom,           contemporânea da Portugal Telecom; 2) Orga-
                     proferidas em 2005 no contexto do início da       nização do acervo; e 3) Planificação orçamental.
                     itinerância da coleção pelo país, para introduzir
                     os propósitos de intervenção social, de desen-    ¶       Relativamente ao primeiro ponto,
                     volvimento, de partilha e de bem-estar, que       os proponentes contextualizaram razões
                     presidiram à formação da Coleção de Arte          e critérios para a pertinência de uma coleção,
                     Contemporânea . Foi entendível que a arte         argumentando que as “grandes empresas
                                     1
                     e a cultura seriam estruturantes na “promoção     patrocina[vam] as Artes sob diversas formas,
                     de novos valores” que a empresa valorizava.       adquirindo obras e formando coleções ou, sob
                     É a origem da coleção e o seu programa aqui-      a forma de mecenato, patrocina[vam] exposi-
                                                                                                 4
                     sitivo, os artistas referenciais e a visibilidade   ções, edições ou prémios” . Esta justificação
                     pública do projeto que vamos resgatar no          ia ao encontro da prática observada a nível
                     texto que se segue.                               internacional, e também em Portugal, na qual
                                                                       as empresas investiam na formação de coleções
                     ¶      A Coleção de Arte Contemporânea            de arte contemporânea. Desde o último quartel
                     que se encontra à guarda da Fundação MEO          do século XX, e em particular motivado pela
                     teve as primeiras aquisições no ano de 1997.      disseminação do liberalismo económico
                     Precederam estas compras a Proposta para           a partir dos anos 1980, que se observa uma
                     a constituição de uma coleção de arte contem-     redução do financiamento público para as
                     porânea da Portugal Telecom, um documento         artes e uma diminuição das políticas prote-
                     aprovado em Conselho de Administração da          cionistas, com o Estado a assumir um papel
                                                                                                                  5
                     Portugal Telecom, a 4 de julho do ano de 1996.    de supervisor e a adotar estratégias liberais .
                     O artista plástico Pedro Portugal e Marina        Por sua vez, esta circunstância político-eco-
                     Bairrão Ruivo, à época curadora na Fundação       nómica promoveu um crescimento do apoio
                     Arpad Szenes – Vieira da Silva, foram a equipa    do setor privado no domínio da cultura e das







                     1.                       Comunicação e Imagem e   da Comissão Executiva, em   e do Gabinete de Promoção
                     FERNANDES, Norberto, s.t.,   do Gabinete de Promoção   1/02/1999; “Coleção de Arte   e Publicidade, em 12/06/96,
                     Arte Contemporânea Por-  e Publicidade, em 12/06/96,   Contemporânea da Portugal   e aprovada em reunião de
                     tuguesa. Obras da Coleção   e aprovada em reunião de   Telecom. Relatório 01/03/28”,   Conselho de Administração,
                     Portugal Telecom, Funda-  Conselho de Administração,   assinada por Marina Bairrão   segundo nota interna, em
                     ção Eugénio de Almeida,   segundo nota interna, em   Ruivo e Pedro Portugal.   4/07/1996. Arquivo Fundação
                     Fundação Portugal Telecom,   4/07/1996. Arquivo Fundação   Arquivo Fundação MEO.  MEO.
                     2005, s.p.               MEO.
                                                                       4.                        5.
                     2.                       3.                       Pedro Portugal, “Proposta   WU, Chin-Tao, Privatizar
                     Pedro Portugal, “Proposta   Ofício de GCIP/PUB-Ga-  para a constituição de uma   la cultura. La intervención
                     para a constituição de uma   binete de Comunicação e   coleção de arte contempo-  empresarial en el mundo del
                     coleção de arte contempo-  Imagem e Gabinete de Pro-  rânea da Portugal Telecom”,   arte desde la década de 1980,
                     rânea da Portugal Telecom”,   moção e Publicidade, Leston   dirigida ao Dr. Leston    Madrid: Ediciones Akal, 2007
                     dirigida a Leston Bandeira,   Bandeira, para GCIP, Francisco   Bandeira, diretor do Gabinete   (1.ª Ed. 2002), p. 12.
                     diretor do Gabinete de   Murteira Nabo, Presidente   de Comunicação e Imagem
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