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13 incontornáveis” da arte contemporânea em abstratas dos anos 1950 . A partir da década
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Portugal . Entre estes, as propostas incluíram de 1960, Joaquim Rodrigo desenvolve uma
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Joaquim Rodrigo, Lourdes Castro e Álvaro pintura através de um sistema de signos
Lapa, que vamos observar de seguida, dese- figurativos, inscritos de forma gráfica. A sua
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jando-se Fernando Lanhas que, porém, não foi organização alude a memórias de viagens e
incorporado. de lugares que os títulos também descrevem.
O tema da viagem é recorrente nesta fase
¶ Joaquim Rodrigo, o primeiro dos “nomes e tem uma dimensão narrativa, desejando
incontornáveis”, assina uma das pinturas contar uma história. Em Lisboa-Vitória, a ideia
cronologicamente mais recuadas na coleção. de movimento é reforçada pela introdução de
Trata-se de Vau-Campo, de 1962, uma tela onomatopeias (200 Pst!..) e a legendagem em
onde a paisagem é feita de uma figuração balão dinamiza a composição gráfica (Oropeza;
esquemática, um casario, monte, caminhos, Chanciller; Caia; Este é o Costa Pinheiro;
numa economia de meios. Do mesmo autor, Burgos; Este é o Martinho; R). A representação
juntou-se Lisboa-Vitória, de 1970. A primeira da estrada curva divide os planos e sugere
foi adquirida à Galeria GIEFARTE-Gabinete a ideia de regresso .
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Internacional de Estudos e Financiamentos
de Arte, em 1997, em Lisboa; a segunda pro- ¶ Incluído nos “nomes incontornáveis”,
veio da Galeria Fernando Santos, no Porto . e da geração seguinte, estão Lourdes Castro
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São ambas pinturas planas sob fundo castanho e Álvaro Lapa. De Lourdes Castro figuram duas
térreo, cor com estreita ligação à natureza obras na coleção, dos anos 1960: Travessa oval,
afim do seu sistema de pintura, realizadas de 1961, uma assemblage-collage de objetos
em fase posterior às iniciais composições pintados de alumínio , e Figuras, objetos,
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fundo prateado, de 1963, ambas adquiridas
diretamente à artista, em 1997 (Doc. 2, Doc. 3;
Fig. 1). A assemblage-collage é representativa
das pesquisas que Lourdes Castro desenvolvia
no início dos anos 1960 , próxima do movimento
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nouveau réalisme francês, onde usa objetos
quotidianos, retirando-os do contexto e da sua
função, como boiões, parafusos ou pequenos
mecanismos, e uniformiza-os através da pintura
alumínica, atribuindo-lhes uma nova signifi-
cação. Em Figuras, objetos, fundo prateado,
pintura sobre platex, a artista abre a reflexão
a uma linha de trabalho experimental, em
Fig. 1 Lourdes Castro, Travessa oval, de 1961.
Assemblage-collage de objetos pintados de alumínio, torno do conceito da sombra e da representa-
36 x 25 x 8 cm. Pormenor da inscrição da assinatura e data. ção em silhueta, alusivas da dualidade entre
23. 24. 26. 27.
Conhece-se a proveniência RODRIGO, Joaquim, A descrição técnica manus- Lourdes Castro, Colagens,
da pintura através da fatura O complementarismo em crita pela artista indica a data Faro: Galeria Municipal
de 1998 e da informação pintura, contribuição para de 1962, o ano que figura no de Arte, 1995 [Folheto].
do Catálogo Raisonné a ciência da arte, Lisboa: inventário da Fundação MEO.
de Joaquim Rodrigo. Aqui Livros Horizonte, 1982. No entanto, a travessa tem
afirma-se ter a pintura a inscrição de 1961, razão
pertencido a Maria Dolores 25. pela qual se optou por esta
Fernandes, que a comprou LAPA, Pedro (conceção), última data. Por outro lado,
na SNBA, em 1972, na Joaquim Rodrigo: Catálogo é sabido que Lourdes Castro
exposição retrospetiva Raisonée, Lisboa: Ministério iniciou as assemblage-collage
do artista aí realizada. da Cultura e Museu Nacional neste ano de 1961. “Factura
Esteve depois no acervo da de Arte Contemporânea à Portugal Telecom, Gabinete
Galeria Nasoni, conforme – Museu do Chiado, 1999, de Comunicação, Imagem
demonstrado pela etiqueta pp. 226-227; 262-263. e Publicidade”, assinado por
na parte detrás do quadro, Lourdes Castro em 27/7/1997.
antes de ser vendida pela Arquivo Fundação MEO.
Fernando Santos.

