Page 12 - Fundação MEO - Coleção de Arte Contemporânea
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1997: “Nomes incontornáveis”.                     Comunicações, a TMN, a PT Multimédia                  12
       Programa de aquisições                            e a PT Inovação. Estas empresas entregaram à
                                                         Fundação Portugal Telecom o espólio histórico,
       A Coleção de Arte Contemporânea da Fundação       documental, tecnológico e artístico como
       MEO é constituída por 170 obras de 88 artistas    contribuição inicial. A Fundação Portugal
       portugueses, em diversos suportes: pintura,       Telecom incorporou a coleção de arte contem-
       desenho, escultura, instalação, vídeo e gravura .    porânea, além de obras assimiladas por aquela
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       Reunida ao longo de uma década, entre 1997        via instituidora e, ainda que, em 2004, a expec-
       e 2007, esta coleção empresarial, sendo           tativa fosse a de prosseguir a “política de
       numericamente pouco expressiva, apresenta-se      consolidação e valorização deste património”
       como uma coleção de artistas, onde os auto-       para “afirmar esta coleção como um ex-libris da
                                                                                                     18
       res representados assinam obras relevantes        intervenção da Fundação PT na área cultural”
       nas suas trajetórias. Helena Almeida é um         e no mundo das artes, ao fim de quatro anos,
       caso emblemático, com um trabalho seminal         em 2007, as aquisições cessaram. Lê-se sobre
       na coleção. Também se podem mencionar             a mudança na afetação de recursos a áreas
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       Joaquim Rodrigo, Lourdes Castro, Álvaro           que a Fundação entendeu prioritárias , uma
       Lapa, Ana Vieira, Vítor Pomar, Eduardo Batarda,    resolução que a equipa de assessores con-
       Xana, João Tabarra, Pedro Proença, João           siderou ter interrompido a “formação de um
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       Pedro Vale e outros, com obras de relevo na       núcleo coerente e consistente” . De facto,
       coleção. Daquele número, a equipa de asses-       a ausência de núcleos de obras de artistas na
       sores assume a responsabilidade na proposta       coleção inibe a representatividade da evolução
       de compra de 149 obras. Há um conjunto de         da trajetória dos artistas e do período da con-
       peças sobre as quais o arquivo é omisso em        temporaneidade a que reportam.
       relação ao ano de incorporação, outras foram
       assimiladas na coleção, provenientes quer         ¶      O programa de aquisições de 1997
       de doações dos artistas, quer da assimilação      revela os princípios que os assessores deseja-
       de património de empresas do Grupo                vam seguir para a coleção (Doc. 1). Afirma-se
       Portugal Telecom.                                 que, “apesar da vertente de atualidade preten-
                                                         dida, pareceu-nos importante começar uma
       ¶      A Fundação Portugal Telecom, como          coleção por nomes incontornáveis e que marca-
       instituição de direito privado, sem fins lucra-   ram de forma decisiva a arte contemporânea
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       tivos, foi criada a 11 de março de 2003. Na sua   em Portugal” . No ano fundador da coleção,
       constituição, contou com cinco membros            em 1997, foi opção direcionar as compras para
       fundadores do Grupo PT: a PT SGPS, a PT           a “atualidade”, complementando os “nomes






       17.                      18.                      20.                      22.
       Os assessores não        Ponto 3. Apoio ao        “Coleção de Arte         “Programa de aquisições.
       privilegiaram múltiplos.   Desenvolvimento Social,   Contemporânea da Portugal   1997”, documento subscrito
       Referem-se serigrafias de   em particular nos domínios   Telecom”, ofício dirigido   por Marina Bairrão Ruivo e
       artistas, como Júlio Pomar,   ambiental, artístico e   a Henrique Granadeiro,   Pedro Portugal. É interessante
       Nikias Skapinakis, Isabel   cultural. Coleção de Arte   Presidente do Conselho    referir que os assessores
       Laginha e Gonçalo Bénard,   Contemporânea (DS1/DS4),   de Administração Fundação   ponderaram, em 1997,
       como sendo de “técnicas   Relatório da reunião do   Portugal Telecom, a 18    adquirir obras de arquitetos
       menores ou qualidade     Conselho de Administração,   de maio de 2007, assinado   reconhecidos, desenhos ou
       inferior”. Ofício dirigido   em 16 de julho de 2004, p. 5.   por Marina Bairrão Ruivo    projetos de obras utópicas
       a Henrique Granadeiro,   Arquivo Fundação MEO.    e Pedro Portugal, Assessores   por realizar, para preservação
       Presidente do Conselho de                         para a Coleção de Arte   da memória de uma cidade
       Administração da Fundação   19.                   Contemporânea. Arquivo   não construída, uma ideia
       Portugal Telecom, assinado   Lê-se este justificativo na   Fundação MEO.   que não terá vingado, aten-
       por Marina Bairrão Ruivo    documentação arquivada:                        dendo às obras que figuram
       e Pedro Portugal, Assessores     Resposta à carta dirigida a   21.         na coleção. Ofício dirigido a
       para a Coleção de Arte    Zeinal Bava, de 29 de julho   Sublinhado nosso. “Programa     Leston bandeira, Diretor do
       Contemporânea, em 18     de 2010, “Coleção de arte   de aquisições. 1997”, docu-  Gabinete de Comunicação
       de maio de 2007. Arquivo   da Portugal Telecom”, s.d..   mento subscrito por Marina   e Imagem e Publicidade da
       Fundação MEO.            Arquivo Fundação MEO.    Bairrão Ruivo e Pedro Portugal.   Portugal Telecom, assinado
                                                         Arquivo Fundação MEO.    por Marina Bairrão Ruivo e
                                                                                  Pedro Portugal, em 27/02/1997.
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