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19 adota, o olhar de confronto com o observador, anteriores. Entre a vintena de artistas expos-
sugerem que a artista ocupa o lugar de tos, obras de sete foram compradas para a co-
um bibelot pop. Por outro lado, ainda, neste leção da Portugal Telecom. Fernando Brito foi
Auto-retrato Rita Barros cruza fotografia como um desses artistas, com Sem título (cruzeiro),
documento de um espaço emblemático, mas pode acrescentar-se André Gomes, Paulo
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o Chelsea Hotel de Nova Iorque, com fotografia Mendes, Rui Serra, Joana Rosa, Luís Palma e
cuidadosamente encenada. João Tabarra. Deste último, estivera exposta
uma fotografia, também reproduzida no catá-
¶ Além de Rita Barros, a proposta de logo, que veio a ser adquirida para a coleção:
aquisições de 2001 também indica Fernando João Ponte Diniz ‘Pilha Eléctrica’ Campeão de
Brito, Alice Geirinhas e Miguel Leal, recordamos. mínimos amadores, Boxe 1943 e Sting, 1993 .
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Tabarra ironiza, celebrizando a imagem de um
¶ Fernando Brito figurava na coleção com homem comum com o seu cão, fotografado
três peças: a escultura Sem Título (cruzeiro), sob a forma de um políptico .
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de 1993, em lego, adquirida em 1998, e duas
pinturas, Sem título (CF08), Sem título (CF12), ¶ A circunstância de adquirir obras
de 1988-1997, em fórmica sobre contraplacado, a artistas que participaram em importantes
compradas na primeira fase, em 1997. A peça exposições reforça a estratégia de garantir
que os consultores propuseram nesse ano de reconhecimento, curricula, consenso e coerência
2001 foi Bycicle Wheel Remade (2021), uma escul- estética perante as propostas apresentadas.
tura em alumínio sobre suporte de madeira, Por outro lado, ainda, este conjunto de artistas
em citação ready-made duchampiana, cujo jovens abre a coleção a uma linha aquisitiva,
sentido de elevar uma peça disfuncional que o documento de 2001 refere como sendo
à categoria de objeto artístico, como uma roda de “investimento em artistas mais novos ou
de bicicleta, reforça a intenção provocadora e em fase de afirmação” , que têm em comum
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dadaísta. Esta atitude crítica já se observara na constituírem uma geração promissora.
escultura representativa de um cruzeiro, cons-
truído num material inesperado e frágil, o lego. ¶ Depois dos artistas referenciais,
designados por “nomes incontornáveis”, com
¶ Fernando Brito integrou o Grupo dos percursos reconhecidos e curricula de trajetória
Homeostéticos, como se referiu. Mas é de nacional e internacional, reúnem-se obras
sinalizar que participou na exposição Imagens de jovens e promitentes artistas . Queria
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para os anos 90, comissariada pelo crítico de reforçar-se núcleos, como os de fotografia,
arte Fernando Pernes e por Miguel von Hafe desenho e pintura, através da obra de Ana
Pérez, curador, e coproduzida pela Fundação Cardoso, André Laranjinha, Pedro Pousada,
de Serralves e pela Culturgest. A importância Inês Botelho, Pedro Almeida Paiva, João Maria
desta exposição reside em se constituir de Gusmão e Marta Moreira.
modo prospetivo sobre os valores artísticos
que se desenvolviam nos anos 1990. Reunindo ¶ Os últimos quatro artistas mencionados
um conjunto de artistas, intentou-se observar expuseram coletivamente na galeria Zé
a “singularidade estética” que se prenunciava dos Bois-ZDB, em 2001. Intitulada Inmemory,
na última década do século XX , cujas pro- oscilações no pictórico, esta exposição coletiva
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postas não ignoravam referências estéticas dos alunos de pintura da Escola Superior de
53. 54. 55. 56.
PERNES, Fernando, Idem, p. 41. A adotação do políptico “Proposta de aquisições
“Serralves, o espaço e a hora sugere uma aproximação crí- 2001. Coleção de arte
da juventude”, Imagens para tica aos painéis de S. Vicente contemporânea da Portugal
os anos 90, Porto: Fundação de Fora, na seguinte fonte: Telecom”, documento
de Serralves, 1993, pp. 9-10. Ana Nolasco, Transgressões subscrito por Marina Bairrão
do Belo. Invenções do Feio na Ruivo e Pedro Portugal, em
arte contemporânea portu- 07/12/2001. Arquivo Fundação
guesa, Tese de Doutoramento MEO.
em Filosofia, Faculdade
de Letras, Universidade 57.
de Lisboa, 2011, p. 100. Idem.

