Page 136 - Fundação MEO - Net Arte no Triângulo das Bermudas
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Consequentemente, são necessários conhecimentos 6. Ver Summers (2020).
especializados e contínuos para resolver novos 7. Ver Bhowmik (2019),
desafios técnicos. Paralelamente, não-especialistas Cubitt (2016), Gabrys (2011).
que se envolvem em esforços de preservação também 8. Ver Pendergrass et al.
(2019), Tansey (2015), De
precisam de orientações específicas, o que representa Silva e Henderson (2011),
Kagan (2011).
um fardo para a maioria das organizações . Por fim, 9. Ver Sakrowski (2017).
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esta “corrida interminável pela tecnologia” [enduring 10. Ver Zavala et al. (2017),
technical rat-race] acarreta um elevado custo energé- Rinehart e Ippolito (2014)
tico, resultando numa pegada de carbono significativa e Van Saaze (2012).
para projetos de património digital. Assim, a preser- 11. Ver Dekker (2018, 2015).
vação digital apresenta um desafio para o ambiente 12. Ver Laurenson e Van Saaze
(2014).
ecológico . Tendo tudo isto em conta, emerge uma 13. Ver Wharton (2011).
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tensão entre a necessidade de manter o património
digital seguro para futuras investigações, memória cultural ou teste-
munho, e a necessidade contínua de atualizar ferramentas e métodos
técnicos, o que sobrecarrega as infraestruturas organizacionais
e ambientais. Noutras palavras, a sustentabilidade digital é um dilema
ou mesmo um paradoxo da preservação.
Nos últimos anos, a literatura sobre sustentabilidade digital tem
tido impacto nas instituições dedicadas ao património digital, onde
a sustentabilidade é mobilizada para melhorar os espaços expo-
sitivos, a gestão de resíduos e de energia, com vista a minimizar
a pegada ecológica . Como resultado, muitas organizações definem
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os seus objetivos ambientais direcionando a atenção para os recursos
financeiros e humanos. Ao mesmo tempo, diante das constantes
mudanças tecnológicas, vários artistas têm optado por apagar
os seus projetos. Por exemplo, em 2011, Igor Štromajer, pioneiro
esloveno da net art, eliminou ritualmente vários dos seus projetos
clássicos de arte produzidos entre 1996 e 2007. Devido às alterações
nas configurações técnicas e atualizações da Web, os projetos já não
apresentavam a aparência ou funcionavam como o artista os tinha
desenhado originalmente . Enquanto Štromajer prefere a eliminação
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à perda estética e ao mau funcionamento, noutros casos, utilizadores
começaram a cuidar de projetos de arte em decadência . Nestas
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situações, surgem redes nas quais as tarefas e responsabilidades
são distribuídas e partilhadas. Denominei estas redes como “redes de
cuidado” . Aqui, o desafio da preservação desloca-se do objeto em si
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para a manutenção de uma rede que sustenta o projeto artístico .
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Os estudos sobre museus e conservação têm uma perspe-
tiva valiosa e de longa data sobre a preservação, mas têm sido
lentos a responder ao potencial de envolver competências para
além do seu domínio . De um modo geral, evitaram os temas do
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processo social e da mudança cultural, e como estes poderiam
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Redes de Cuidado
Redes de Cuidado

