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Consequentemente, são necessários conhecimentos          6.  Ver Summers (2020).
    especializados e contínuos para resolver novos           7.  Ver Bhowmik (2019),
    desafios técnicos. Paralelamente, não-especialistas      Cubitt (2016), Gabrys (2011).
    que se envolvem em esforços de preservação também        8.  Ver Pendergrass et al.
                                                             (2019), Tansey (2015), De
    precisam de orientações específicas, o que representa    Silva e Henderson (2011),
                                                             Kagan (2011).
    um fardo para a maioria das organizações . Por fim,      9.  Ver Sakrowski (2017).
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    esta “corrida interminável pela tecnologia” [enduring    10. Ver Zavala et al. (2017),
    technical rat-race] acarreta um elevado custo energé-    Rinehart e Ippolito (2014)
    tico, resultando numa pegada de carbono significativa    e Van Saaze (2012).
    para projetos de património digital. Assim, a preser-    11. Ver Dekker (2018, 2015).
    vação digital apresenta um desafio para o ambiente       12. Ver Laurenson e Van Saaze
                                                             (2014).
    ecológico . Tendo tudo isto em conta, emerge uma         13. Ver Wharton (2011).
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    tensão entre a necessidade de manter o património
    digital seguro para futuras investigações, memória cultural ou teste-
    munho, e a necessidade contínua de atualizar ferramentas e métodos
    técnicos, o que sobrecarrega as infraestruturas organizacionais
    e ambientais. Noutras palavras, a sustentabilidade digital é um dilema
    ou mesmo um paradoxo da preservação.
        Nos últimos anos, a literatura sobre sustentabilidade digital tem
    tido impacto nas instituições dedicadas ao património digital, onde
    a sustentabilidade é mobilizada para melhorar os espaços expo-
    sitivos, a gestão de resíduos e de energia, com vista a minimizar
    a pegada ecológica . Como resultado, muitas organizações definem
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    os seus objetivos ambientais direcionando a atenção para os recursos
    financeiros e humanos. Ao mesmo tempo, diante das constantes
    mudanças tecnológicas, vários artistas têm optado por apagar
    os seus projetos. Por exemplo, em 2011, Igor Štromajer, pioneiro
    esloveno da net art, eliminou ritualmente vários dos seus projetos
    clássicos de arte produzidos entre 1996 e 2007. Devido às alterações
    nas configurações técnicas e atualizações da Web, os projetos já não
    apresentavam a aparência ou funcionavam como o artista os tinha
    desenhado originalmente . Enquanto Štromajer prefere a eliminação
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    à perda estética e ao mau funcionamento, noutros casos, utilizadores
    começaram a cuidar de projetos de arte em decadência . Nestas
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    situações, surgem redes nas quais as tarefas e responsabilidades
    são distribuídas e partilhadas. Denominei estas redes como “redes de
    cuidado” . Aqui, o desafio da preservação desloca-se do objeto em si
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    para a manutenção de uma rede que sustenta o projeto artístico .
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        Os estudos sobre museus e conservação têm uma perspe-
    tiva valiosa e de longa data sobre a preservação, mas têm sido
    lentos a responder ao potencial de envolver competências para
    além do seu domínio . De um modo geral, evitaram os temas do
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    processo social e da mudança cultural, e como estes poderiam


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    Redes de Cuidado
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