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esteja a ganhar terreno, é importante notar que a rede   18. Na sua monografia, Mol
    ainda não é vista como parte intrínseca de um projeto    (2008) descreve a vivência
                                                             e o tratamento da diabetes,
    artístico. Pelo contrário, a rede é entendida como algo   e treze estudos de diferentes
    que facilita um projeto ou uma abordagem de preser-      áreas são reunidos no volume
                                                             coeditado com Mol et al.
    vação. Contudo, o que acontece se considerarmos          (2010), posicionando as éticas
                                                             e políticas do cuidado.
    a rede como um ator, em vez de uma ferramenta? Além      19. Ver Mol et al. (2010).
    disso, de que forma uma rede pode ser descrita como      20. Ver Mol et al. (2010, p.14).
    algo que “cuida”?                                        21. Ver Puig de la Bellacasa
        É evidente que a noção de cuidado está profunda-     (2017).
    mente presente na prática de preservação: o cuidado      22. Ver Mol e Hardon (2020).
    com as coleções é, de facto, um dos pilares da
    preservação. Contudo, aqui procuro ir além do cuidado com um
    objeto e focar-me no cuidado enquanto prática relacional. Embora
    o conceito de cuidado seja utilizado e interpretado de formas
    distintas dependendo da disciplina académica ou profissional, do
    país e da cultura, sigo a noção de “cuidado” tal como conceptuali-
    zada e descrita por Annemarie Mol na sua etnografia dos cuidados
    de saúde . Na obra The Logic of Care (2008), Mol descreve
             18
    como o cuidado não é apenas uma questão de escolhas individuais
    bem fundamentadas, mas algo que surge de tentativas colaborativas
    e contínuas de harmonizar conhecimentos e tecnologias. O cuidado
    é entendido como envolvendo não só profissionais e pacientes, mas
    também outros elementos materiais e tecnológicos. Assim como as
    respostas humanas podem ser ambíguas, a investigação demonstra
    como os efeitos não intencionais da tecnologia podem impactar
    o curso do cuidar . Por outras palavras, sublinha-se como o cuidado
                     19
    é relacional: um conjunto de práticas heterogéneas, locais e espe-
    cíficas, que envolve um “ajuste persistente num mundo repleto de
    ambivalências complexas e tensões em mudança” . Além disso, no
                                                     20
    cuidado, a ação é mais significativa do que os atores: estes podem
    mudar, mas as ações relacionais permanecem cruciais. Enquanto Mol
    explicita o que motiva o cuidado – uma combinação intrigante de
    adaptabilidade e perseverança –, a académica feminista María Puig de
    la Bellacasa enfatiza como o cuidado nunca é neutro. É ambivalente,
    simultaneamente necessário e opressivo, sugere afetos mas também
    relações de poder assimétricas; e oferece espaço para pensar sobre
    mundos possíveis. Neste sentido, é aberto e convida (ou cria espaço
    para) a especulação . Como referem as antropólogas Mol e Hardon,
                        21
    “envolver-se em práticas de cuidado não serve um bem comum
    inequívoco. Pensar que sim é apenas mais um sonho romântico
    (Puig de la Bellacasa 2007). As práticas de cuidado, tal como outras
    práticas, estão repletas de tensões” . Ao usar o conceito de cuidado
                                        22
    como uma ferramenta para analisar a atividade de cuidar que ocorre


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    Redes de Cuidado
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