O que é "Perdurar como Paradoxo?"
“Perdurar como Paradoxo” reúne um conjunto de obras de arte produzidas desde a década de 1980, raras vezes ou nunca expostas, provenientes de diferentes núcleos da Coleção de Arte Contemporânea da Fundação MEO. A preservação de uma obra de arte numa coleção nem sempre implica a sua visibilidade imediata. Diferentes razões, como a sua escala, a complexidade técnica, as condições materiais que a sua apresentação exige, ou a memória que encerra, podem determinar a sua ausência do espaço expositivo, e o seu afastamento do olhar. Privilegiando o diálogo entre obras conhecidas e desconhecidas do público, revisita-se a Coleção e explora-se a sua condição paradoxal enquanto espaço de preservação e partilha, de ocultação e revelação, marcado pela constante tensão entre forças opostas.
Partindo desta contradição, e perante a invisibilidade que tantas vezes acompanha o que cuidadosamente se guarda, a exposição pretende ativar a capacidade de mutabilidade e transformação dos objetos artísticos de modo a reanimá-los no presente. Não procurando resolver este paradoxo, a exposição assume-o como condição para recuperar obras que permaneceram ocultadas, reclamando-lhes um espaço e fazendo-as perdurar a partir de um outro olhar. Sem propor uma leitura só, nem um percurso definido, convida-se o visitante a percorrer o espaço e a conhecer diferentes obras, orientadas por afinidades dinâmicas, como a perceção, a matéria e a energia. Convocam-se os conceitos de metamorfose e impermanência através da evocação do fogo como tecnologia primeva, da infância como idade para conhecer o mundo e da mecânica pela inerente mutação dos sistemas analógicos em sistemas digitais e computacionais. Alude-se também à persistência da contradição expondo obras de artistas que indagam sobre a sacralização e a profanação da realidade, sobre os constrangimentos e o alcance das margens, e que integram a imprevisibilidade e o erro na sua prática artística.
“Perdurar como Paradoxo” evoca a própria memória da Coleção de Arte Contemporânea da Fundação MEO, apresentando obras que regressam ao espaço público e outras resgatadas e mostradas pela primeira vez, e esclarece que as obras de arte e coleções possuem a capacidade de perdurar em diferentes contextos, revelando novas possibilidades de relação com o presente.
Curadoria: Afonso A. Castro (IHA - NOVA FCSH)
Esta exposição foi desenvolvida no âmbito do projeto ‘Implementação do Espaço Fundação no Fórum Picoas’, uma parceria entre a Fundação MEO e o Instituto de História da Arte (IHA – NOVA FCSH).