Page 149 - Fundação MEO - Net Arte no Triângulo das Bermudas
P. 149
46. Cheang citada em Ho (2012). de um ano, que inclui instalações, formatos de chat ao
47. O projeto foi parcialmente vivo e performances reais/virtuais, ninguém (incluindo
financiado por Banff, no Canadá eu própria) pode afirmar ter visto o trabalho em
(1995), pelo Guggenheim, em
Nova Iorque (1998), pela toda a sua extensão. As janelas pop-up na interface
Waag Society, em Amesterdão
(1997–99), e pela Universidade roadtrip, as células da interface panop-
de Harvard (1999). Ao longo ticon, são todas uma expansão do espaço, espaços
dos anos, várias organizações
tentaram manter o projeto a serem ocupados por várias narrativas e habitantes.
funcional ou arquivá-lo,
46
entre elas Rhizome e Internet Seguramente, não lineares e não conformistas” .
Archive. Para uma linha Uma das consequências da complexa e elaborada
do tempo dos períodos de
atividade e inatividade, ver rede técnica e social envolvida na preservação de
Engel et al. (2018) e de Wild
(2019). Brandon foi o mau funcionamento do sítio. Esses
48. Ver Fuller (2019). problemas eram tanto técnicos, devido à obsolescência
de software e hardware, como sociais, relacionados
com as mudanças de pessoal nas diferentes organizações. Como
resultado, o sítio esteve offline várias vezes ao longo dos anos .
47
Matthew Fuller, na sua análise do projeto, fornece uma visão sobre
o potencial da plataforma de Cheang e sobre como os aliados organi-
zacionais se tornaram parte da estética da colaboração, aproximan-
do-se efetivamente de uma rede de cuidado:
“Os métodos de Cheang também incluem a criação de contextos
para o desenvolvimento de linguagens artísticas a emergir. Isto
significa que ela opera no nível da individuação coletiva, na qual
a arte e a sua adequação ao presente podem ser alcançadas. Tal
trabalho implica que também se encontre uma estética de colabo-
ração – uma atividade central no seu trabalho –, por exemplo, na
criação de plataformas comuns ou na curadoria do trabalho por
outros artistas, tecnólogos e músicos com quem ela colabora. Essas
plataformas estabelecem igualmente uma condição em que a duração
começa a operar como uma dimensão onde o trabalho se desenrola
e se encontra, e na qual a questão da linguagem de um projeto se
torna parte do método palpável de trabalho” .
48
Por outras palavras, apesar da situação instável de Brandon,
que se estendeu desde a sua conceptualização artística até ao
seu contexto técnico e organizacional, seria possível traduzir uma
“estética de colaboração” para uma rede de cuidado que pudesse
preservar o projeto? Se sim, os diferentes atores – organizações,
indivíduos e elementos técnicos – assumiriam todos o mesmo nível
de cuidado?
Em 2015, o Guggenheim iniciou uma colaboração com estu-
dantes do Departamento de Ciência da Computação da NYU para
preservar Brandon. O objetivo era recuperá-lo como um projeto
artístico vivo, preservando todos os comportamentos funcionais e as
propriedades estéticas da obra, tal como definidos pelo código-fonte
149
Annet Dekker
Annet Dekker

