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temas centrais do trabalho de Cheang, em particular      44. Para uma visão geral das
    a exploração de identidades de género e o interesse      diferentes partes do projeto,
                                                             ver Engel et al. (2018) e de
    em examinar a tensão entre o ciberespaço e o espaço      Wild (2019).
    físico. Isto levou a uma investigação de vários anos     45. Entrevista pessoal com
                                                             Shu Lea Cheang, 19 de abril
    sobre a expressão e repressão de desigualdades de        de 2019.
    género e sociais. Inicialmente encomendado pelo
    curador John Hanhardt (que trabalhava no Whitney Museum na
    época, mas que levou o projeto para o Guggenheim quando se
    juntou à instituição em 1998), Brandon foi concebido como uma
    plataforma colaborativa, onde artistas e curadores eram convidados
    a responder a esses atos de violência e à história de Brandon de
    forma mais específica. Neste sentido, o projeto girava em torno do
    cuidado de múltiplas formas: ao revelar temas sociopolíticos sensíveis
    como agressão sexual e discriminação, e ao explorar como essas
    questões eram tratadas pelas forças policiais e sistemas jurídicos.
    Diferentes organizações e indivíduos (incluindo artistas, curadores
    e membros do público em geral) também cuidaram da continuidade
    do trabalho, organizando eventos ou adicionando conteúdo ao sítio.
    Especialmente entre 1998 e 1999, o projeto começou a expandir-se
    em direções inesperadas, através do envolvimento de vários autores
    e organizações, resultando em instalações, fóruns de discussão
    online, performances em rede e um sítio não linear .
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        Assim como Neddam e Štromajer, Cheang desempenhou um
    papel importante no desenvolvimento da trajetória de preservação do
    seu trabalho, abordando problemas de sustentabilidade e explicando
    as direções que o projeto e as suas apresentações tomaram. Cheang
    mencionou ainda que via Brandon como uma plataforma para
    outros tomarem controlo, organizando e produzindo situações que
    ativassem outras narrativas ou colaboradores . Embora compreenda
                                                 45
    uma diversidade de eventos, o sítio como plataforma principal
    tornou-se a parte mais conhecida do projeto. O sítio é dividido
    em várias secções, cada uma com interfaces diferentes – bigdoll,
    roadtrip, mooplay, panopticon e theatrum anatomicum – que juntas
    formam a plataforma. Cada interface é programada como um
    mainframe: um constructo estrutural no qual os conteúdos e cola-
    boradores podem mudar. Assim, enquanto a programação é fixa,
    a narrativa muda e evolui como resultado de novos participantes,
    bem como de extensões técnicas e plug-ins. Embora os utilizadores
    possam navegar pelas diferentes secções, a navegação não é direta.
    Como afirma Cheang, o sítio foi criado para funcionar como um
    labirinto, sem ícones ou marcadores claros para ajudar na navegação:
        “A capacidade de investigar, negociar com o rato (ou passar
    o cursor) oferece experiências diferentes do trabalho. Num intervalo


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    Redes de Cuidado
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